29/09/2014

Maria João Cantinho escreve sobre Marques, Teresa Martins, A Mulher que venceu Don Juan, editora Âncora, 2013.

Marques, Teresa Martins, A Mulher que venceu Don Juan, editora Âncora, 2013.

José Rodrigues Miguéis
Muito conhecida pela sua obra ensaística, Teresa Martins Marques lançou recentemente o seu primeiro romance. Referência incontornável nos estudos sobre José Rodrigues Miguéis, em 1994, foi, também, responsável pelo tratamento do espólio do escritor e poeta David Mourão-Ferreira, (entre 1997 e 2004), autor escolhido pela investigadora para a sua tese de doutoramento.
Quando a autora pensou em publicar esta obra, o risco era grande, à partida, todavia manteve-se à altura desse desafio a que se havia proposto. Teresa Martins Marques começou por publicar partes do texto na Internet e, nomeadamente, no seu mural, a partir de Outubro de 2012 até ao mês de Maio de 2013, tendo-nos demonstrado que os efeitos da comunicação podem ser utilizados de uma forma criativa e inédita. Foi assim que, combinando personagens reais e fictícias, num constante diálogo com os seus leitores, o romance começou a ganhar forma, tornando-se uma obra instigante e que toma por objecto um tema bem pertinente, o da violência doméstica. A forma como está construído, a sua dinâmica ágil e o enredo envolvente prendem o leitor até ao seu final. E isso não acontece apenas pelo modo como a acção se desenrola, mas também pelo domínio da autora na construção das suas personagens.
O romance abre com quatro citações, todas elas alusivas a uma das figuras mais enigmáticas e interessantes da nossa cultura: D. Juan. Infinitas são as ramificações do conceito e a ironia da autora encontra-se exactamente no modo como subverte as interpretações mais tradicionais, acrescentando-lhes interpretações inéditas, provenientes da psicologia e da psicanálise. Só uma profunda conhecedora da tradição literária e do tema em questão, poderia utilizar a sua erudição de uma forma que é, ao mesmo tempo, lúdica e despretensiosa, como o faz Teresa Martins Marques. A destreza como as reflexões se vão concatenando em torno dos temas aqui abordados, como a luxúria e o amor, são consequência de uma decisão clara da autora, a de não querer transformar as suas personagens em figuras vazias e espectrais. Os diálogos fluídos constituem outra das estratégias mais conseguidas, desse ponto de vista. São muitas as figuras que vão desfilando sob o olhar do leitor: o Dr. Amaro Fróis, o D. Juan, o médico hipócrita e devoto da beleza artificial, que desconhece o amor e faz da luxúria o seu instrumento de poder perverso, a Sara/Esmeralda, mulher bela que se rebela contra o estatuto de instrumento sexual e de boneca de luxo ostentada pelo marido poderoso, a psicóloga Lúcia que acompanha (e salva) mulheres que são vítimas de violência doméstica, albergando-as na casa da Caparica (o nome é fictício, mas a organização da APAV é real), Luís, professor universitário e alcoólico, homem bom que procura a redenção pelo amor, Manaças, a figura do oportunista que vive de expedientes, entre muitos outros que ocupam aqui um lugar secundário.
Nenhuma destas personagens carece de espessura, antes se posicionam de diferentes ângulos de visão, em caleidoscópio, evidenciando a subtil capacidade de observação da romancista, cuja experiência e conhecimento da natureza mundana lhe confere instrumentos precisos na descrição dos traços psicológicos de cada uma delas, estabelecendo assim uma clara contraposição entre elas e definindo-lhes o contorno. Essa espessura é o que contribui também para a verosimilhança das personagens, sendo que algumas delas são verídicas. E o trabalho de linguagem da autora é rigoroso, a linguagem que lhe dá corpo é fluída e musical e, não raro poética.
A acrescentar a essa construção, o conhecimento literário do género narrativo, a ironia mordaz na voz do narrador, libertando o romance dos seus constrangimentos moralistas e hipócritas (outra das virtudes que lhe encontro), exprime bem uma visão da natureza humana que não se prende nunca a um olhar estereotipado, ainda que vários personagens sejam, eles próprios, pela sua natureza intrínseca, estereótipos da nossa sociedade (o machista, a/o interesseiro, a bela fútil, etc.).  
Nada aqui é deixado ao acaso e também não o será a abertura do capítulo intitulado “La Donna è Mobile”, onde se descreve o modo como Amaro Fróis tem na ária do terceiro acto da ópera de Verdi, Rigoletto, o seu tema musical predilecto. Amaro Fróis,  o reputado e cínico médico de cirurgia plástica, que nos relembra vagamente algumas patéticas (e bem reais) figuras do Jet Set de irrepreensível recorte, é uma personificação nada escrupulosa, um D. Juan pós-moderno, ocultando os mais obscuros segredos, que se revelarão apenas no final.
Outro título, igualmente revelador e que marca o compasso desta obra é “A máscara do sedutor”.  D. Juan, sabemo-lo, não ama as mulheres, mas apenas se adora a si mesmo, usando os seres que seduz com a finalidade de satisfazer a sua insaciável fome de poder e de luxúria. É verdade que estes seres são galantes e atraentes, mas tais atributos não passam apenas de uma máscara usada para enredar as vítimas. E o donjuanismo, temática literária tão vasta, não é nem nunca será um tema ultrapassado, dado que a estrutura das relações de poder no amor se mantêm inalteráveis na história da humanidade. Não é em vão que a autora invoca detalhadamente o pensamento de Kierkegaard, sobre o qual a sobrinha de Lúcia, Manuela, fará a sua tese de doutoramento, também essa uma luta simbólica contra o don juanismo. D. Juan coloca questões filosóficas de vasto e denso alcance, como a hybris (ainda que de uma foma mais implícita), já que o sedutor se julga acima do comum mortal, desafiando, transgredindo as leis a que o respeito e o amor obrigam. Por vezes, e aqui se encontra também o caso, a sua forma é maquiavélica, na forma como instrumentaliza o Outro e o reduz à ínfima condição, destituindo-o do seu amor-próprio e da sua dignidade. Não é aleatório que Teresa Martins Marques relembre a obra-prima da literatura desse género que é Les Liaison Dangereuses, do escritor francês Pierre Choderlos de Laclos, evocando a diabólica figura que era o Visconde de Valmont. Amaro Fróis é mortífero como o foi Valmont, mas também morre pelo seu próprio veneno.
Não se trata aqui de um ensaio académico e desengane-se o leitor que vem à procura de explicações ensaísticas, psicanalíticas e literárias – ainda que as haja. É, antes, um romance político, no melhor sentido que a palavra pode ter, melhor dizendo, numa vertente ética. Sara é a personagem central, mas torna-se difícil, aqui, identificar uma heroína principal, pois, ao longo da obra, encontramos várias mulheres de inabaláveis e irreversíveis convicções. Tome-se como exemplo Lúcia, a psicóloga, ou ainda as mulheres que vivem na casa da Caparica, refúgio da APAV, lugar onde a solidariedade se transforma na grande fonte da sua coragem.
Talvez a academia não se sinta à-vontade com o género (o folhetim) e com o modo como o livro se foi consolidando, num diálogo aberto com os leitores da autora no facebook,. A acompanhar esse diálogo, Teresa Martins Marques procedeu a rigorosas investigações, sem negligenciar a importância do tema. A forma como a autora subverte a mais controversa das formas de comunicação, conferindo-lhe uma eficácia notável, para escrever o romance, é também uma “revisitação” moderna do feuilleton, esse género híbrido entre a prosa e a narrativa criado no início do século XIX e que constituía um registo do quotidiano. Ainda que visto como um género menor pela crítica literária da época, grandes autores da literatura clássica como Charles Dickens, Eugène Sue, Alexandre Dumas Filho, Gustave Flaubert, entre muitos outros, não foram indiferentes ao poder cativante do folhetim e cultivaram-no de forma prolífica.
O dispositivo narrativo que é aqui usado, no romance, intercala tempos diferentes, não se processando como uma narrativa linear, mas sim de uma forma em que os capítulos intercalam a acção presente com acontecimentos do passado. Esta estrutura vai-se mostrando, capítulo a capítulo, guiando o leitor, iluminando, mas sem lhe facilitar o caminho, pois o final eclode como uma verdadeira surpresa. Em A Mulher que Venceu D. Juan, todos os seus elementos - a história, os acontecimentos aparentemente dispersos - se vão concatenando até ao seu desfecho. Do mesmo modo que os capítulos nos revelam o ponto de vista de cada personagem, contribuindo para a sua densidade psicológica, também não existem acontecimentos gratuitos ou personagens à deriva e, mesmo os que nos parecem alheios, revelam-se como peças fundamentais do romance. E a verosimilhança das personagens encontra o seu correlato na dos acontecimentos e dos próprios lugares em que a acção decorre.
Por vezes, o tom da narradora é satírico e bastante mordaz, nomeadamente nos momentos em que desmascara os propósitos e as duplas intenções de algumas personagens que exercem com frieza e precisão o seu poder. Mas é sobretudo um olhar que predomina, ora neutro, ora comovido, pelas personagens. Porque essas mulheres simples que habitam a casa da Caparica, lugar onde se escondem dos seus carrascos, são seres absolutamente admiráveis, pelo modo como se entregam à protecção umas das outras, ainda que sejam, todas elas, indefesas. Um acordo tácito, um reconhecimento e a gratidão pela mulher que as tenta salvar, a psicóloga Lúcia, eis o que constitui a vibração mais intensa e comovente desta obra.  Permanece sempre, ao longo dela, um traço de luz irradiante que a percorre, desde o seu início. É nessa humanidade (e não falo aqui de santidade), escoando-se nos veios das palavras de Lúcia, de Sara, de Luís, que o olhar da autora se detém, inquieta e em busca de um sentido, de uma redenção possível. Há um nome que se escreve/inscreve nos intervalos e nos silêncios, nas entrelinhas do que é dito, um nome que se acende, mesmo na mais escura das noites. Ele escreve-se, antes de mais, no olhar da autora, comovido, fundindo-se com as suas personagens. O tempo tudo aquieta, parece dizer Teresa Martins Marques (e isso é sobretudo visível no final), mas, para que o tempo nasça de novo, é necessário desfazer-se do passado e do medo. A mulher que venceu D. Juan não é apenas Sara nem Lúcia, mas sim todas aquelas que cerraram um dia os punhos e olharam o medo de frente. É disso que se trata: olhar o medo de frente e despedirmo-nos do que nos dói, incluindo as máscaras.

Maria João Cantinho

Recensão publicada na revista Colóquio / Letras, nº 187 Setembro- Dezembro de 2014, pp.245-248.

Maria João Cantinho

Maria João Cantinho
Maria João Cantinho nasceu em Lisboa, em 1963. Passou a infância em África, regressando a Portugal após o 25 de Abril. Estudou Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, onde realizou também mestrado e doutoramento, centrando-se na obra do filósofo Walter Benjamin. É professora efectiva do Secundário desde 1990 e Professora Auxiliar no Iade (Creative University of Lisbon) desde 2011, na área de Estética e História da Fotografia. É membro integrado do Centro de Filosofia de Lisboa (FLUL) e do Centre d’Études Juives (Sorbonne, IV). Membro do conselho editorial da revista GEWEBE (Núcleo de Estudos Benjaminianos, Brasil). É também sócia e membro da Direcção do Pen Clube Português e da A.P.E. (Associação Portuguesa de Escritores).

22/09/2014

A Mulher que Venceu Don Juan nas Faculdades Integradas Rio Branco

Escritora portuguesa divulga nova obra nas Faculdades Integradas Rio Branco

No dia 12 de setembro, as Faculdades Integradas Rio Branco tiveram a honra de receber a professora e pesquisadora da Faculdade de Letras de Lisboa, Teresa Martins, que acaba de lançar seu mais novo livro ‘' A mulher que venceu Dom Juan''.
O evento contou com a presença da coordenadora do curso de Pedagogia, Fabiana Malandrino, do professor Humberto Aragão, do professor Francisco Maciel Silveira, da Universidade de São Paulo, e do professor Ernesto Rodrigues, da Faculdade de Letras de Lisboa.
A autora falou sobre seu livro, que destaca o abuso nos relacionamentos, sejam eles causados por homens ou mulheres.

Teresa Martins nas Faculdades Rio Branco
Teresa Martins destacou que o livro teve participação direta de seus leitores, já que a autora publicava, a cada semana, um capítulo do livro na sua fan page no Facebook, recebendo de seus leitores comentários que traziam ideias e indagações sobre a obra.
A convidada finalizou a palestra respondendo perguntas dos participantes e ressaltando a ideia principal do seu livro, que é o combate à violência nos relacionamentos.


Fonte:  http://www.riobrancofac.edu.br/site/Acontece/Leitor.aspx?id=1951#sthash.MLcA7YjF.dpuf

A Mulher que Venceu Don Juan e a Revista Colóquio/Letras, editada pela Fundação Calouste Gulbenkian.


Já está prestes a sair o número 187 da Revista Colóquio/Letras, editada pela Fundação Calouste Gulbenkian. Além de ensaios sobre o escritor Rui Nunes e sobre Agustina Bessa-Luís, sairão também recensões críticas aos livros de poesia de Luis Castro Mendes, "A Misericórdia dos Mercados", de Luís Quintais, "O Vidro", de Ana Ana Luisa Amaral, "O Escuro", entre muitos outros artigos. Também aparece neste número uma recnsão minha ao livro de Teresa Martins Marques, "A Mulher que venceu D.Juan", que está a conquistar os leitores brasileiros.



Retirado da página do Facebook de Maria Jõao Cantinho

Os Lusíadas e A Mulher que Venceu Don Juan, por Jorge Fernandes da Silveira

Teresa Martins Marques e
Jorge Fernandes da Silveira
Querida Teresa,
Se ainda lecionasse na Graduação de Letras - estou no primeiro ano da aposentadoria compulsória -, proporia à minha turma de Literatura Portuguesa IV a seguinte questão:
Lidos e discutidos em classe Os Lusíadas e A Mulher que Venceu Don Juan, compare os epílogos do episódio de Inês de Castro (contextualizando-o no Poema) e o do romance, em que os nomes das personagens femininas (incluindo o da Autora) têm valor na herança cultural da "gênese do amor". Considere a temática amorosa, ou melhor, o discurso amoroso, as relações entre homem e mulher, segundo os seus papéis na tradição da lírica clássica e na poética contemporânea. Leiam-se os exemplos:

As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores.
(Lus, III, 135)


Beatriz, médica devotada aos seus doentes, e às causas sociais, morreu sem realizar esse desejo. Já muito doente, pediu a Laura, sua filha, que o fizesse por ela. Professora de Filosofia no vetusto Liceu Camões, recebeu esta herança e quer honrá-la. Laura é a sobrevivente de uma família em que duas mulheres, pela primeira vez, ao longo de muitas gerações, elegeram a solidariedade e o estudo como valores maiores.
(Teresa Martins Marques, A Mulher que Venceu Don Juan, 2013, p. 323)

P.S. a interessantíssima coincidência (já agora coexistência) entre os nomes da Autora e o da "mãe de reis e avó de impérios", em quem o "sensual era maior", é já outra questão; outra de igual interesse é a tensão herança/vingança tendo como protagonistas Inês e Pedro.

Beijo do teu
Jorge

(Jorge Fernandes da Silveira)

jfdsilveira
Currículo Lattes - Busca Textual - Visualização do Currículo

Dados gerais Formação Atuação Produções Educação e Popularização de C & T Eventos Orientações Bancas +
Jorge Fernandes da Silveira
Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 1A
•             Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/1378424896505459
•             Última atualização do currículo em 22/09/2014________________________________________
possui graduação em Português e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1969), mestrado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1974) e doutorado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1982). Atualmente é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura portuguesa, poesia, literatura, cultura e poetas portugueses. (Texto informado pelo autor) 
Identificação
________________________________________
Nome
Jorge Fernandes da Silveira
Nome em citações bibliográficas
SILVEIRA, J. F.

Endereço
________________________________________
Endereço Profissional
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Letras, Departamento de Letras Vernáculas.
AV.BRIGADEIRO TROMPOWSKI S/N
ILHA DO FUNDÃO
21941-590 - Rio de Janeiro, RJ - Brasil
Telefone: (21) 25989745

Formação acadêmica/titulação
________________________________________
1976 - 1982
Doutorado em Letras (Letras Vernáculas) (Conceito CAPES 5).
Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, Brasil.
Título: Portugal, maio de Poesia 61, Ano de obtenção: 1982.
Orientador:  Cleonice Serôa da Motta Berardinelli.
Palavras-chave: Poetas Portugueses; Recepção Poesia; Critica e interpretação.
Grande área: Lingüística, Letras e Artes / Área: Letras / Subárea: Literatura Portuguesa.
Setores de atividade: Educação.
1970 - 1974
Mestrado em Letras (Conceito CAPES 5).
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, Brasil.
Título: O inscrito e o escrito: Uma leitura da poesia de Fiama Hasse Pais Brandão.,Ano de Obtenção: 1974.
Orientador: Cleonice Serôa da Motta Berardinelli.
Palavras-chave: Poetas Portugueses.
Grande área: Lingüística, Letras e Artes / Área: Letras / Subárea: Literatura Portuguesa.
Setores de atividade: Educação.
1966 - 1969
Graduação em Português e Literaturas de Língua Portuguesa.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, Brasil.

Pós-doutorado
________________________________________
1988 - 1989

BRASIL (1) - UM FIM DE TARDE PARA MIM INESQUECÍVEL, por Teresa Martins Marques

BRASIL (1)
 UM FIM DE TARDE PARA MIM INESQUECÍVEL
(12 de Setembro de 2014)
Por Teresa Martins Marques
I
DA EXCELÊNCIA DAS PESSOAS E DA INSTITUIÇÃO

  Durante o nosso périplo brasileiro, na curta passagem por São Paulo, fui convidada pelo Prof. Dr. Humberto Lima de Aragão Filho para fazer uma palestra sobre violência doméstica, a partir do meu romance A Mulher que Venceu Don Juan. (Âncora Editora, 2013) O público alvo muito simpático e caloroso era constituído por alunos  de Direito, Pedagogia, Comunicação Social e Gestão Comercial, das Faculdades Integradas Rio Branco, uma organização sem fins lucrativos, criada por associados do Rotary Club de São Paulo, em 1946. Uma instituição de referência: as salas de aula e o auditório excelentemente equipados; a vasta biblioteca de consulta livre, ao estilo das melhores da Europa e dos EUA, cuidada  pela sua coordenadora Drª Alice K. Matsumoto, como santuário dos livros. Depois do passeio pela aprazível alameda interior, com um belo espelho de água e  vegetação luxuriante, aguardava-nos um belo cocktail de recepção. É bom ser professor ou aluno neste espaço paradisíaco. É igualmente muito bom ser visitante!

  O convite que nos fora feito obtivera o apoio das seguintes personalidades, a quem agradeço penhorada: Prof. Dr. Edman Altheman, Director Geral das Faculdades Integradas Rio Branco; Prof. Dr. Alexandre Uehara, Director Académico; Prof. Dr. Paulo Sérgio Feuz, Coordenador do Curso de Direito; Prof.ª Fabiana Malandrino, Coordenadora do Curso de Pedagogia;  Prof.as Ivana  Ribeiro e Virgínia Maria Antunes de Jesus, que deram sustentação ao propósito de realizar este  evento.
   O Prof. Dr. Humberto Lima de Aragão Filho iniciou a vida académica na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais e viria a frequentar mais tarde o Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas, onde se tornou bacharel em Teologia. Seguidamente, cursou Filosofia na Universidade de Mogi das Cruzes e graduou-se em Letras pela Universidade de São Paulo, onde obteve os graus de mestre e doutor com a tese intitulada “A intencionalidade do tríptico de Lisboa”, na obra de José Rodrigues Miguéis. Actualmente é professor dos cursos de Direito, Relações Internacionais e Comunicação Social nas Faculdades Integradas Rio Branco, em São Paulo e professor convidado da Escola Paulista da Magistratura (EPM).
A Profª Virginia Maria Antunes de Jesus é mestre e doutora em Letras (Literatura Portuguesa) pela Universidade de São Paulo, com uma tese sobre  «Miguel Rovisco - O Teatro da História». Pós-graduada em Teoria Literária: Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, possui graduação em Pedagogia  e em Letras Português, Francês e Italiano  pela Universidade de São Paulo. É professora na graduação e nos cursos de MBA das Faculdades Integradas Rio Branco e na pós-graduação em Bioética e Pastoral da Saúde do Centro Universitário São Camilo. Integra o NCE/ECA-USP como tutora e orientadora de trabalhos de conclusão de curso do projeto Mídias na Educação do MEC/SP, em projectos de educação à distância e  na área de Metodologia da Pesquisa Científica e Letras, com ênfase em Línguas e Literatura Brasileira, Portuguesa, Francesa e Italiana. É consultora associada da WellCom - comunicação sem fronteiras, empresa de consultoria empresarial multilíngue e desenvolvimento cultural.
A Profª Ivana Maria Ribeiro possui graduação em Serviço Social, Licenciatura em Filosofia e Mestrado em Educação  pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora das Faculdades Integradas Rio Branco nos cursos de Pedagogia, Administração de Empresas, Análise de Sistemas e Economia. Na modalidade de EAD actua nos cursos de Administração, Comunicação Social, Direito e Relações Internacionais. Membro do Conselho Editorial da Revista Electrónica “Acolhendo a Alfabetização nos Países de Língua Portuguesa”, da Faculdade de Educação da USP. Directora académica do Yázigi Internexus em Itu/SP (2005-2009). Directora do Movimento Paulo Freire/SP (1998-2000). Membro da Cátedra Paulo Freire da PUC/SP (1998-2006). Educadora Social do Núcleo do Trabalhos Comunitários da PUC/SP (1996-1999). Educadora Social do Instituto Paulo Freire Brasil (1999-2000). Apaixonada por música, fotografia e poesia colecciona os seus trabalhos no “Baú dos Pensares”.

II

DA AMIZADE

02/09/2014

Teresa Martins Marques viaja com "A Mulher que Venceu Don Juan"

Teresa Martins Marques viaja com "A Mulher que Venceu Don Juan" até ao Brasil! A autora falará sobre a obra nas seguintes datas e locais:
- 3 de Setembro, 15:30 horas, Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro;
- 9 de Setembro, 19:30 horas, UNESP, Assis;
- 12 de Setembro, 20:00 horas, Faculdades Integradas Rio Branco, São Paulo.

Fonte: Âncora Editora

30/08/2014

RÁDIO ONDA LIVRE - Entrevista com a escritora Teresa Martins Marques


O RESGATE DO RESPEITO E DO AFECTO, por Helena Martins Marques Faria


A MULHER QUE VENCEU DON JUAN:
O RESGATE DO RESPEITO E DO AFECTO
  Como profissional de educação, não posso deixar de dar os parabéns à minha querida irmã, pelo exímio tratado de educação que tão sabiamente desenvolveu no romance A Mulher que Venceu Don Juan.
Um livro abrangente que versa toda a espécie de violência, não esquecendo a violência dos filhos em relação aos pais. A nossa geração quis dar o melhor aos filhos, sonhámos grandes sonhos para eles, foram criados como "reizinhos" e agora?
Assistimos a comportamentos de filhos que não reconhecem a autoridade dos pais e não refiro autoritarismo. Nivelam as relações como se fossem iguais entre si. Não tendo a noção da dívida moral e ética que o filho tem na cadeia da existência.
É fundamental o resgate do respeito e do afecto.


Helena Martins Marques Faria

22/08/2014

ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA - «Não venceu só o Don Juan, venceu os cobardolas.»

ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA
(Professor catedrático da Brown University- EUA)
Foi um tal trambulhar estes dias. Chegar a casa  e ter de ficar lá muito pouco tempo porque... Guess what?  o tema do seu romance: tínhamos emprestado a casa a uma amiga com dois filhos que teve de sair de um casamento por causa de uma situação semelhante às das mulheres do seu romance. Como o divórcio ainda não está resolvido, deixámo-la ficar lá até ao final do mês e viemos para o Maine. No meio disto tudo, o seu livro ficou atrás num dos caixotes trazidos de Lisboa. Portanto, tudo o que aqui disser é de cor.
Acho que a expressão da Leonor - um page turner - está correcta. Chega-se ao fim de uma página e quer-se logo passar à seguinte a ver o que se vai passar. Estão sempre a acontecer coisas e por isso, nesse aspecto, o livro tem muito de TV e de filme, até porque não me recordo de um livro português com tanto diálogo. É impressionante a vivacidade deles, as temáticas abordadas, a vida que as cenas ganham naquelas trocas de frases. Tem aí uma grande novidade na literatura portuguesa, sempre muito descritiva e algo mortiça.
O livro é também um belo retrato da sociedade portuguesa de hoje e dos seus problemas que afloram a cada passo nos diálogos.
Pareceu-me que, para um romance, a protagonista é demasiado impecável, como se se tratasse de uma novela exemplar. Distingo aqui as pessoas da vida real e as personagens de romance, que normalmente (no romance moderno) costumam ser complexas e exibir atitudes nem sempre recomendáveis. Ou pelo menos auto-irónicas.  É verdade que a certa altura ela afirma só ter dúvidas, mas acaba nunca agindo como se as tivesse. Sabe sempre o que deve ser feito e sem qualquer hesitação. Repito: estou a falar da personagem do romance.
Claro que estou demasiado influenciado pela escrita anglo-americana, mas  o enredo, o estilo cinematográfico e os vivíssimos diálogos não me faziam lembrar outra coisa. E ainda bem porque não tenho pachorra para o moer em vão de muita ficção portuguesa.
Aqui e acolá, pareceu-me um excesso de erudição. Também - e para continuar a ser completamente sincero - não fiquei convencido da necessidade de mencionar pessoas da vida real pelo seu nome, sobretudo porque o faz apenas para elogiá-las. Faltou o outro lado. Já que preferiu não acrescentar essa outra dimensão, creio que teria sido melhor usar nomes fictícios.
Tudo isso são registos de leitor que têm a ver só comigo e com as minhas preferências. Disse-lhe do que gostei e do que gostei menos.
E não lhe falei ainda do meu muito agrado pelas posições éticas que defende ao tratar de um problema tão sério como esse da situação das mulheres abusadas. No meio de tanta literatura pós-moderna que não se preocupa com a  ética, tiro-lhe o chapéu. Não venceu só o Don Juan, venceu os cobardolas.

ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA (Professor catedrático da Brown University- EUA)


Biografia
Estudou no Seminário de Angra e depois na Universidade Católica, em Lisboa, onde se bacharelou em 1972, ano em que emigrou para os EUA. Em 1977 completou uma licenciatura e em 1980 um doutoramento no Departamento de Filosofia da Brown University (Providence, Rhode Island). Em 1975 começou a leccionar no Centro de Estudos Portugueses e Brasileiros dessa mesma universidade, que ajudou a criar. Em 1981 foi nomeado Assistente nesse Centro; em 1987, promovido a Professor Associado; em 1991, a Professor Catedrático. O Centro entretanto passou a Departamento e foi dele seu director de 1991-2003. É Fellow do Wayland Collegium for Liberal Learning, um Instituto de Estudos Interdisciplinares na Brown University, onde lecciona uma cadeira sobre Valores e Mundividências.
Para além das obras em livro, tem centenas de escritos em revistas e livros colectivos. Fundou e dirige a editora Gávea-Brown, dedicada à edição em inglês de obras de literatura e cultura portuguesas, que edita também a revista Gávea-Brown – a Bilingual Journal of Portuguese American Letters and Studies, que ele fundou e co-dirige. É co-editor do e-Journal of Portuguese History e de Pessoa Plural, ambas revistas electrónicas editadas em cooperação internacional e publicadas na Brown University.
Desde 1979 mantém um programa bimensal no Portuguese Channel, de New Bedford, Massachusetts, e durante dois anos manteve um programa semanal – “Onésimo à conversa com…” – na RTP Açores. Foi colaborador regular n’ O Jornal e no Diário de Notícias. É colaborador regular na revista LER, na PNETLiteratura e no Jornal de Letras. Entre as organizacões a que pertence, é membro da direcção da PALCUS – Portuguese-American Leadership Council of the United States. Foi Vice-Presidente do Rhode Island Council for the Humanities e da Associação Internacional de Lusitanistas. Foi eleito Membro da Academia Internacional de Cultura Portuguesa.

18/08/2014

Maria Margarida Cascarejo - Variações sobre um Tema

Teresa Martins Marques
       a propósito de   A Mulher que Venceu Don Juan
               de Teresa Martins Marques

 Era uma vez
Uma Princesa
Com nome helénico
Mas não Helena
Que nasceu na Cidade Alta
Mas não Atenas …
De neves Eternas !

Um dia decidiu
Descer da sua Torre de Marfim
Onde na sua Infância
Passava os dias sem fim
Envolta no seu casaquinho
De pele alva                                                                
Alva como as Neves Eternas
Alva, digno de uma Princesa
 De Cidade Alta
Mas não Atenas !
Every face, a different shade

E decidiu descer ao Mundo Real …
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
… Quando amadas se perfumam
… Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram …

Fazendo o percurso inverso
Do tradicional, ardente
Caçador de Princesas,
Garbosos Adónis
De Atenas …

Mas
… faces in an inhuman race
Os enigmas habituais
Agora mais pareciam … virtuais
Os crocodilos do fosso
Meras lagartixas LACOSTE
De contrafacção !
Run and hide
But a face will still pursue you !
O dragão tinha dentes
Amarelecidos
O seu fogo
Em crise de petróleo, talvez !
Mas no fim da noite
Aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas !

A ponte levadiça fez-lhe lembrar
Tower Bridge, tão amada …
Ahhhhhhhh, aquele azulinho claro
Inocente !
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Têm medo apenas
Vestem-se de negro, se encolhem.

Depois de saltar o Muro
A Princesa agora Mulher
Não pequena, Helena
Viu um Aviso …
                  É PROIBIDA A ENTRADA
                  A QUEM NÃO ANDAR
               ESPANTADO DE EXISTIR !

Ah Sim !
Esta é a Vida
Presente, Positiva
Agora
Look around …
QUEM ?
JOÃO SEM MEDO ?
Elas não têm gosto ou vontade
Têm medo apenas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro
‘The Past is a foreign country;
They do things differently there.’
Paper faces on parade
But a face
Will still pursue you !

Aquela jovem Mulher
Como outras
Não pequenas, Helenas
Não de Atenas
Queria Sim
Agora
Presente
 Positiva
Conhecer
Aquele
JOÃO SEM MEDO !

Look around
There’s another  Mask
Behind you !

 Era uma Vez
Duas
Três
Muitas Vezes …

Afinal
Era
Um Pretérito Imperfeito !

Bravo, Teresa
Encore !


Por Maria Margarida Cascarejo

Colaboradores virtuais: Chico Buarque ‘Mulheres de Atenas’, José Gomes Ferreira ‘Aventuras de João Sem Medo’, ‘O Fantasma da Ópera’ – Andrew Lloyd Webber (música), Charles Hart e Richard Stilgoe (letra de ‘Masquerade’), London Town (Tower Bridge), L. P. Hartley ‘The Go-Between’ e …

                                                           Look around
                                                                                        There’s another Mask

                                                                                        Behind you …

13/08/2014

Ana Daniela Soares conversa com Teresa Martins Marques

Teresa Martins Marques na Livraria Ferin

As Vozes Que Nos Escrevem

Ana Daniela Soares conversa com Teresa Martins Marques, investigadora, ensaísta, crítica literária, autora do livro A mulher que venceu D. Juan







OUVIR: http://www.rtp.pt/play/p922/e162820/as-vozes-que-nos-escrevem

10/08/2014

Ana Diogo - Diário de bordo

Apresentação do livro em Moncorvo.Foto :Lb
Ana Diogo
Um romance arrebatador que retrata uma hedionda realidade social
Incidindo sobre uma temática extremamente actual e dramática, o romance de Teresa Martins Marques é uma obra envolvente pelo seu assombroso realismo e conteúdo pungente… Como leitora, senti-me constantemente seduzida, incapaz de pousar o livro até ao final – não há um momento de cansaço, pelo contrário, o desejo e prazer de ler crescem à medida que se avança na leitura, e que a trama, altamente emotiva e cativante, se desenrola. É uma obra belíssima a todos os níveis e de inquestionável qualidade literária. Permito-me felicitar a autora pela excelência da escrita, pela audaz escolha de um tema tão polémico quanto urgente, pela seriedade com que o trata, mas também pelo enorme empenhamento cívico que a obra deixa transparecer. Nas palavras da personagem central - "A violência é um polvo tentacular. Não raro, vem embrulhada em celofane com o falso rótulo de amor." Recomendo vivamente!
(21.01.14)

 Contar a Leitura

Ana Diogo                        08-12-2013 17:50
Querida Teresa, Embora ansiosa por iniciar a leitura do seu livro, este fds tem sido demasiado agitado, com visita de familiares, e ainda pouco consegui avançar. No entanto, tive agora um tempinho e quero dizer-lhe que não consigo ultrapassar o capítulo "Na cave real" que li e reli uma data de vezes emocionadíssima. Sabe, nunca esqueci uma resposta um tanto enigmática que me deu no Verão quando eu me queixava de ter os meus netos tão longe... A Teresa respondeu algo que me impressionou muito: "Acredite que há ainda pior do que isso... E agora, lendo este capítulo (novo para mim), juro que não consigo sair daqui... estou em lágrimas e tinha que lhe dizer. Um beijinho, Teresa. A minha admiração e carinho transvasam.
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Teresa Martins Marques            08-12-2013 19:19
É isso, querida Ana. Temos de saber ultrapassar os capítulos e os problemas. É preciso criar outros laços, outros interesses, outras formas de viver. Cada instante. Enquanto formos vivos. Um  beijo, T.
Ana Diogo          09-12-2013 22:32
Voltei, querida Amiga. Tenho medo de estar a ser inconveniente com esta necessidade de lhe dar conta das minhas impressões à medida que vou lendo o seu livro. Não me leve a mal... Isto de conhecer a autora é complicado... Ontem disse-me "Temos de saber ultrapassar os capítulos" e entendi que devia preparar-me para maiores dores. Compreendo agora quando uma vez disse que chorou muito ao escrever este livro. Eu tenho chorado a lê-lo, não posso sequer imaginar como terá sido dolorosa a sua escrita! E agora que tive de ler e reler o capítulo. "Ciúme e Narcisismo", parece que levei eu uma tareia de morte! Eu, mera leitora... Resta-me a esperança que tenha servido também de algum alívio, de catarse, à autora, porque coragem, acho que precisou de muita, desmedida! Desculpe estar a importuná-la com as minhas reacções, um pouco infantis talvez, à leitura que vou fazendo, mas é muito forte o impacto! Penso que outras pessoas talvez também tenham reagido e não tem de responder se lhe custa. Vou acabá-lo hoje, não tenha dúvida, porque estou absolutamente rendida à forma magnífica como escreve! Mesmo que doa… E depois vou reler, com mais calma – para aprender muito consigo… Não há forma de lhe agradecer uma tal dádiva! Um beijinho, Teresa. Imenso. Com muita ternura.
Ana Diogo          10-12-2013 16:55
Queridíssima Teresa
Como tencionava, terminei ontem a leitura do seu livro tão extraordinário! E digo-o não só em termos da temática que aborda, mas da forma primorosa como escreve. Como leitora senti-me constantemente seduzida, incapaz de pousar o livro, verdadeiro magnete – não há um momento de cansaço, pelo contrário, a apetência cresce à medida que se avança na leitura, dolorosa, sim, pelo conteúdo tão pungente, mas de inquestionável qualidade literária! O livro é belíssimo a todos os níveis, Teresa – só posso felicitá-la e regozijar-me consigo!
Tinha dito que os capítulos finais seriam duros de roer – obrigada por me ter avisado. São duros, muito mesmo, revelam meandros e podres da sociedade que nem se imaginam… e como é atroz a história de Lúcia, essa mulher extraordinária, tão generosa! Em contrapartida, o ‘Tango’ do Manaças é absolutamente delicioso, hilariante! 
E tem razão – que consolo, que beleza a carta de Beatriz! Se todo o livro é uma vigorosa tareia para o leitor, uma convocação do acordar para realidades tão escondidas, tão negligenciadas…, esta carta, plena de sensibilidade, de ternura, constitui um remate auspicioso, reabilitador da crença no ser Humano…

Neste momento estou embrenhada na 2ª leitura começada ontem já de madrugada, inadiável. Vou recolhendo as inestimáveis informações e esclarecimentos de âmbito literário (e não só!!) com que tão sábia e inteligentemente foi enriquecendo a obra. E educando o leitor menos esclarecido… Mas vou também observando com mais pormenor a forma admirável com que desfia este rol de personagens intensas, complexas, humanas, para o bem e para o mal, dando-lhes alma e dimensão psicológica. Magistralmente!

Ontem não cheguei a responder à sua observação sobre o prédio vermelho… Pelo pormenor e gosto com que o descreveu não me surpreende que seja a sua casa. Deve ser belíssima! Mas parece-me que o que mais a satisfez foi mesmo o facto de poder incluí-la no romance para aquele efeito específico! A Teresa é extraordinária!
Não sei como expressar de outro modo o quanto amei estas Mulheres/Homem que venceram os seus demónios! E acho que nunca lhe disse, mas vou dizer agora – gosto muito, muito e tenho um enorme orgulho na minha Amiga Teresa Martins Marques!

09/08/2014

A escritora Teresa Martins Marques apresentou no dia 1 de Agosto, na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo a sua recente obra “A Mulher que Venceu Don Juan”.


 A escritora Teresa Martins Marques apresentou no dia 1 de Agosto, na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo a sua recente obra “A Mulher que Venceu Don Juan”.
O livro aborda a problemática da violência doméstica, apresentando vidas escondidas de três personagens de fundo Amaro Fróis, Manaças e Joana.
A sessão teve início com as palavras do Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves. José Mário Leite procedeu à apresentação do livro, tomando ainda a palavra Teresa Martins Marques e um representante da âncora editora.
No final da cerimónia a autora deu uma sessão de autógrafos no pátio que interliga a Biblioteca Municipal e o Centro de Memória acompanhada por um porto de honra.

 O público aderiu à iniciativa promovida pelo Município de Torre de Moncorvo. 

Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, 6 de Agosto de 2014
Luciana Raimundo

04/08/2014

Mª Idalina Alves de Brito e " A MULHER QUE VENCEU DON JUAN "

Teresa Martins Marques em Torre de Moncorvo

De uma realidade nua e crua, tão longínqua e tão próxima, solta-se, de Trás-os-Montes ao Algarve e, por terras de além mar: Moçambique, Brasil ou Argentina, este romance tridimensional de Teresa Martins Marques, " A Mulher que venceu Don Juan ". O ela, nós e eles, entre elementos ficcionais e pessoas concretas, amadas e conhecidas do eu, na aventura do diálogo constante, directo e indirecto do drama ou do humor, nessa corajosa analogia de palavras com diferentes  valores simbólicos (alma, lama, frio, frois, froid, pág.43). "Tu és eu e eu sou tu" (pág. 79). Leonor caminha pela verdura do amor desalentado e cansado de mãe como em diversos socalcos da verdadeira vida. Quisera que a realidade fosse diferente! Mas, a violência assume contornos diversificados, mesmo na própria casa, e, com as pessoas que mais amamos.
O papel da APAV no apoio contra essas formas de tirania, revê-se na figura da Dr.ª Lúcia e das mulheres vítimas de violência doméstica como Sara, Marta e Odete e, mesmo no Prof. Luís, que transformaram o medo em sobrevivência heroica contida em raiva. Porque: "o amor não é mais forte do que nós. Se deixarmos que o seja, acabou-se a liberdade" (pág.88). Teremos de matar  "esse veneno chamado destino" e "recomeçar, não ter medo de recomeçar. Amanhã é sempre outro dia" (pág.103).
Uma cativante  aventura pelos caminhos da Filosofia, Literatura e Psicologia, evidenciando um imenso conhecimento literário, cultural e histórico, numa linguagem rigorosa e atrativa, que nos prende e suspende às suas páginas, na ânsia da compreensão do desenlace final. São exemplo: o conhecimento da Tavira árabe, o Porto ou a Lisboa de hoje e de ontem; a psicanálise de Freud e a filosofia de Kierkegaard e o seu " Diário do Sedutor " (págs  136, 137, 303 e 304), na interpretação da sexualidade patológica do Don Juanismo (masculino e feminino) e a sua essência teatral e manipuladora, do " não-ser e o não-estar em parte alguma, a não ser em trânsito ", para dominar e violentar o outro: " pássaro e cobra " da sedução, dada a sua incapacidade de amar outrem, a não ser a si próprio, na compulsividade inconsciente de se afastar (reprimir) do objecto do seu desejo: alguém do mesmo sexo, que quer, afinal (pág 234 e 235). Porque, na impossibilidade de " curar " um psicopata do amor "serial lover", o " amar é separar-se, quando do convívio só resulta dor " (pág 302).
Emerge este belo e cativante romance de Teresa Martins Marques, pelos mares bravios da realidade existencial que impiedosa  e cruel, nas diferentes faces de violência e exploração do ser humano, contrasta com os percursos laterais das ondas suaves de amor,  tolerância, solidariedade e liberdade, nunca desistindo de construir um mundo melhor pela dignificação da  vida das pessoas,  numa corajosa ética profissional, missão tão simples e dura de muitos (as) e tendo como lema de vida o de Manuela, numa frase de Eduardo Lourenço: " Não emprestarei os meus joelhos aos ídolos sentados no lugar impossível de Deus".
Parabéns e muito obrigada, Teresa Martins Marques, foste tu a Corajosa e Grande  " Mulher que venceu Don Juan ".
Bragança, 3 de agosto de 2014

Mª Idalina Alves de Brito

VER:

03/08/2014

ÂNCORA - UMA EDITORA AMIGA DOS AUTORES

Em Torre de Moncorvo.
Obrigada a António Baptista Lopes e a todo o staff da Editora!
Fizemos até agora 5 lançamentos do romance A MULHER QUE VENCEU DON JUAN:
Lisboa - Livraria Ferin- apresentação por Julieta Monginho e José Manuel Mendes.
Porto - Café Majestic - apresentação por Julio Machado Vaz.
Tavira - Salão Nobre da Câmara Municipal - apresentação por Adriana Freire Nogueira
Bragança- Centro Cultural Adriano Moreira - apresentação por Leonel Brito ou seja, Lelo Demoncorvo
Torre de Moncorvo- Biblioteca Municipal - apresentação por José Mário Leite.
Faremos ainda mais dois lançamentos:
Rio de Janeiro e São Paulo.
(Primeira e segunda quinzena de Setembro, respectivamente).
No mundo em que vivemos, os livros têm de ser dinâmicos e procurar os leitores.

OBRIGADA A TODOS OS APRESENTADORES!


Teresa Martins Marques