22/10/2015

DON JUAN AUX ENFERS - Charles BAUDELAIRE (1821-1867)


DON JUAN AUX ENFERS
Quand Don Juan descendit vers l'onde souterraine
Et lorsqu'il eut donné son obole à Charon,
Un sombre mendiant, l'oeil fier comme Antisthène,
D'un bras vengeur et fort saisit chaque aviron.
Montrant leurs seins pendants et leurs robes ouvertes,
Des femmes se tordaient sous le noir firmament,
Et, comme un grand troupeau de victimes offertes,
Derrière lui traînaient un long mugissement.
Sganarelle en riant lui réclamait ses gages,
Tandis que Don Luis avec un doigt tremblant
Montrait à tous les morts errant sur les rivages
Le fils audacieux qui railla son front blanc.
Frissonnant sous son deuil, la chaste et maigre Elvire,
Près de l'époux perfide et qui fut son amant,
Semblait lui réclamer un suprême sourire
Où brillât la douceur de son premier serment.
Tout droit dans son armure, un grand homme de pierre
Se tenait à la barre et coupait le flot noir,
Mais le calme héros, courbé sur sa rapière,
Regardait le sillage et ne daignait rien voir.
Charles BAUDELAIRE (1821-1867)
Les Fleurs du Mal, XV

06/08/2015

"A Mulher que Venceu Don Juan" no Plano Nacional de Leitura para o Ensino Secundário

"A Mulher que Venceu Don Juan", de Teresa Martins Marques, está na lista de livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura para o Ensino Secundário! Esta é uma obra de ficção que aborda temas muito pertinentes da vida actual, de que se destaca a violência nas relações. A prevenção é o melhor remédio, por isso, num país em que se estima que uma em cada três mulheres tenha sido ou seja vítima de violência doméstica, é urgente alertar os nossos jovens.

http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/escolas/uploads/livros/58_todas_as_listas_2014%283%29.pdf

05/08/2015

María José Rodríguez Figueíras e a A Mulher que Venceu Don Juan

A Mulher que Venceu Don Juan chegou às minhas mãos num sábado às 10 h da manhã, quando o abri pela primeira vez, e terminei as 326 páginas às 10 e meia da noite (tinha conhecimento de que havia sido publicado numa rede social e dado o seu êxito, a autora havia decidido convertê-lo num livro dando-lhe forma e desenvolvendo a trama).
Sinceramente esta história cativou-me, pela sensibilidade da autora, que soube tratar maravilhosamente um problema que afecta muitas mulheres e homens que na intimidade sofrem de violência doméstica, e de que até há pouco tempo nem se mencionava. Ou se pedia ajuda à família, respondiam que era o seu marido, disso não se fala, alguma coisa fizeste para merecer isso, etc. O tema é tão grave que se reclamou das Nações Unidas para que preste mais atenção a estes abusos no âmbito privado já que causam mais mortes que as guerras, e que custam segundo os especialistas mais de 6 191 milhões de euros por ano.
Desgraçadamente em Espanha já levamos 40 mortes nestes 11 meses, mulheres que são maltratadas física e psicologicamente (também há homens, detalhe que não quero esquecer.), nem tão pouco a essas mulheres que silenciosamente e por vergonha as sofrem no silencio das suas casas, e que seguramente entre as presentes haverá mais do que uma.
Este livro é especial por vários motivos, primeiro por retratar a violência num caso que ocorre numa classe social alta, quando estamos habituados a que cheguem aos nossos ouvidos casos como estes de famílias desestruturadas, e este tipo de comportamentos não tem classes, ocorre em todos os extractos da sociedade.
E segundo, por fazer um detalhe pormenorizado e detalhado do papel de D. Juan, com referências a textos da literatura espanhola, francesa, dinamarquesa, Kierkegaard, por exemplo… Senão porque paralelamente, a escritora Maria Teresa Martins Marques dá uma explicação teórica do comportamento destes sociopatas, da parte da responsabilidade que têm os pais, de educar os filhos colocando-os no centro da atenção dos seus progenitores, convertendo-os em absolutos egocêntricos que simplesmente não sabem dar nem conhecem o significado da palavra amar, assim como o mal que causam à sua volta, até em mulheres e homens com capacidade intelectual elevada que são subjugados emocionalmente devido à sua baixa auto-estima.
A autora faz deste trabalho algo vivo que cativa, onde se mistura a realidade mais absoluta, o sofrimento com a ironia e o sentido de humor que prende e não deixa abandoná-lo, na expectativa de conhecer na página seguinte o que acontece à protagonista, Sara, que teve a desgraça de se cruzar na sua vida com um depradador emocional? Um Don Juan, que abundam na nossa sociedade sobretudo em profissões liberais, médicos, políticos, advogados, etc. Uma trama de diferentes personagens implicadas entre si sem conhecer o motivo e que na trama final descobrem-se as suas entrelaçadas implicações. 
Recomendo encarecidamente a leitura deste grande livro, A Mulher que Venceu Don Juan, que estou convencida que não só será um êxito para a sua autora, Maria Teresa Martins Marques, senão também para a Âncora Editora, que teve a sensibilidade de dar-se conta do valor que estas páginas encerram.

María José Rodríguez Figueíras

20/06/2015

Vítor Matos e "A Mulher que Venceu Don Juan"


Tive o gosto de conhecer a autora numa viagem de trabalho e após a nossa primeira conversa achei que era uma pessoa com o dom da palavra, logo imaginei que a sua escrita seria interessantíssima.
 Com a minha colaboração no blogue comecei a ler os comentários e claro  decidi ler o romance.
Qual o meu espanto ao sentir me com vontade de “devorar” página atrás de página. O envolvimento das personagens e o decorrer da história é alternado com muito conhecimento literário e assuntos para mim desconhecidos, motivo pelo qual fico ainda mais agradado por ter absorvido todo este conhecimento e ter ficado com vontade de aprofundar várias temáticas abordadas.
Em suma, foi um livro que além de conter uma história extraordinária, bem construída e desenvolvida, com um final com o qual eu já contava, mas que nem por segundos imaginei que o desfecho fosse feito por parte de quem o fez...
Espero ainda que muitas “Saras” leiam este romance e se libertem dos seus “Amaros” pois não precisamos de tais histórias, infelizmente reais, na nossa sociedade.
Foi um livro que me despertou ainda mais para o mundo literário e me abriu a mente para um novo projecto que me breve revelarei, pelo que só tenho de agradecer à autora por tal feito.

Um beijo,
Vítor

Vítor Matos, técnico de informática, formador e fotógrafo, é colaborador do blogue Farrapos de Memória (de Leonel Brito), tem vários trabalhos fotográficos publicados em jornais regionais, participou como fotógrafo nos documentários: "Ernesto Rodrigues - 40 anos de Vida Literária", "Freixo de Espada à Cinta - à vista de pássaro", Arquivo de Memória Oral das Minas da Borralha, Arquivo de Memória Oral de Freixo de Espada à Cinta e no filme "Do Roboredo ao Sabor", de Leonel Brito. Participou na exposição fotográfica intitulada "Alentejo", realizada em Elvas em Maio de 2015.

Giorgio de Marchis e "A mulher que venceu Don Juan"

Cara Teresa,
Acabo de ler A mulher que venceu Don Juan. Devido aos mil afazares no Departamento., demorei um pouco mais do que esperava para começar a leitura. Mas uma vez começada a leitura do romance, li sem parar e devorei o livro em poucos dias. O seu romance tem vigor, ritmo, mistério, denúncia social e encara questões sérias com seriedade, oferecendo ao leitor pérolas de humor e sabedoria (eu aprendi muito sobre muitas coisas que desconhecia em Portugal). Enfim, o seu romance é mesmo seu porque há nele tudo o que eu aprecio na sua autora.
Além disso, foi um prazer ver tantos amigos e conhecidos transformados em personagens romanescas. O seu, o nosso!, Prof. Ernesto Rodrigues aparece várias vezes e é sempre um gosto deparar-se nele, tanto na vida real como num romance.
Agora, esse doutor Amaro acho que entra de direito entre os malvados da literatura portuguesa. Aliás, o seu romance poderia chamar-se também Os Crimes do Doutor Amaro e acho que o Eça não ficava ofendido com isso.
Agora, aguardo o seguinte romance e, por enquanto, mando-lhe desde Roma o meu “grazie” pelas horas de deleitosa leitura que me ofereceu.
Um abraço amigo do seu leitor,
Giorgio 


Giorgio de Marchis é professor associado de Literatura portuguesa e brasileira na Universidade de Roma III. No âmbito das suas investigações, tem estudado o primeiro e o segundo Modernismo português, organizando edições crítico-genéticas de obras de Mário de Sá-Carneiro (O silêncio do dândi e a morte da esfinge. Edição crítico-genética de «Dispersão», Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2007) e de José Régio. Além de se interessar pelo romance português e brasileiro dos séculos XIX e XX, nos últimos anos tem estudado vários aspectos da literatura popular em Portugal (E… Quem é o autor desse crime? Il romanzo d’appendice in Portogallo dall’Ultimatum alla Repubblica (1890-1910), Milano, LED, 2009).

01/02/2015

"A Mulher que Venceu Don Juan," traduzido para húngaro, por Hargitai Evelin Gabriella

A nő, aki legyőzte Don Juan-t
1
La donna è mobile

Honvágyat csak a tenger iránt érzek. A Foz -nál elém táruló látvány hiányzik. Bár azt mondják, az Atlanti-óceán mindenütt egyforma, ezt, amit itt, Monte da Caparica -nál látok az ablakomból, nem érzem sajátomnak. Foz más volt.
Evelin Gabriella HARGITAI
Foz más volt; az új házból szemlélve, ahol az utolsó évben az életemet a boltról boltra rohanás töltötte ki: megkeresni a tökéletes műtárgyat a tökéletes helyre. Bármennyit is szaladtam, bármennyit is fáradtam vele, soha nem találtam olyat, ami elnyerte volna Amaro tetszését. Szép volt, csakhogy... Ő ellenben tudott választani. Vagy azt gondolta, hogy tud. Soha semmi nem volt tökéletes, az ő precíz kezei alól kikerülő plasztikai sebészi munka kivételével.
Mindig is a részletek okoztak nekem örömet, talán így menekülök el a lényeg elől, ami igazából felzaklat engem. Mindig szükségem volt arra, hogy valamivel eltereljem a figyelmemet, mert attól megkönnyebbülök. Most a balkonnövényeimre gondolok, amelyek kiszáradtak, elfonnyadtak, mert már nem beszélgetek velük. Hiányzik a veranda. Ellenben a tágas ház, ahol szinte elvesztem, nem. Fehér volt és steril. Meg kell halni, olyan szép, ahogyan Becas mondta, meghalni, mondtam én, lassú halállal, ha nincs remény új életet kezdeni. Persze, nem érthetett engem. Én pedig nem tudtam megértetni magam.
A foz-i új házzal kapcsolatban az én véleményem nem számított. Az én létem is olyan volt, akár egy műtárgyé. Szótlanul, díszként szolgáltam Amaro életében. Nem tudom, mire voltam jó, hacsak nem arra, hogy aláírjak.
– Holnap 11 órára legyen készen. El kell menni a közjegyzőhöz, aláírni az új lakás papírjait.
Homályosan már beszélt valamit egy épületről a Gomes da Costa Marsall sugárúton, ami, noha egy időre felfüggesztették az építkezést, végül elkészült. Az én családi örökségemből vette meg, de még csak nem is hívott el magával a bemutató szint bejárására. Kész tények elé állított. Erről nem beszélhetek senkinek. Ha beszélnék, senki nem hinne nekem. Vagy még nagyobb bolondnak néznének, mint amilyen egyébként voltam. Ezért írom inkább ezt a Naplót, ami nem kérdez, és nem bírál felül. Elég a cenzúra, amit magammal szemben alkalmazok, mert ma már tudom, hogy az én hibám is volt, nagyon is, mert gyenge voltam. Vakká tett a szerelem.
Honnan is tudhattam volna én, a tizenhat éves kamasz, hogy ez az Adonisz, aki filmbe illő módon toppant elém a granja-i parton, egyszer démonná fog változni. Pedig nyilvánvaló volt. Egy túlzottan jólnevelt, túlzottan hidegfejű, túlzottan visszafogott férfi, túlzottan sok kezitcsókolommal, nem megbízható. A normális emberek nem túlságosan ilyenek vagy olyanok. A túlzott tökéletesség még Odüsszeusznak sem kellett, ott is hagyta sírva Kalüpszót Ogügié szigetén. Pénelopé türelmes volt, ezzel jobban szolgálta az érdekeit. Az én odüsszeiám más fonalból, más szemekből szövődött, amiben sem istenek, se hősök nem őrködtek felettem.

Teresa Martins Marques e Ernesto Rodrigues entrevistados pela Rádio Brigantia

Ernesto Rodrigues. Teresa Martins Marques e José Eduardo Franco,
nas comemorações dos 40 anos de vida literária de Ernesto Rodrigues


23/01/2015

A MULHER QUE VENCEU DON JUAN: UM MODO CATIVANTE DE "CONTAR" ,por Urbano Bettencourt

.A MULHER QUE VENCEU DON JUAN: UM MODO CATIVANTE DE "CONTAR"
Teresa,
Tenho-a visto aqui pelo FB e sempre que a vejo lembro-me que nunca lhe disse nada sobre o seu livro, que li e de que gostei muito, pelas questões suscitadas, pela história e pelo modo «cativante» de a contar (isto é, prendendo a atenção do leitor). É por isso tudo um livro duro, não piegas nem demagógico.
São apenas algumas observações que me surgem agora, já à distância da leitura que fiz e de que lhe devia ter dado conta, com mais pormenor, na altura apropriada, mas que «as minhas circunstâncias» me impediram de fazer.

Urbano Bettencourt
Professor de literatura, licenciado em Filologia Românica e doutorado em Estudos Portugueses. Tem centrado a sua investigação no estudo de  literaturas insulares,especialmente a açoriana e a cabo-verdiana; uma parte dessa investigação encontra-sereunida em quatro volumes de ensaios:  O Gosto das Palavras (3 vols: 1983,1995; 1999) e Ilhas conforme as circunstâncias (2003). Tem ainda publicada outra obra no domínio da narrativa e da lírica. 

03/01/2015

Casa Vermelha - «Pintura Manual. E. Canavarro e João F. Blane. Obra de Henrique Cardoso»

Seguiram a pé até à Rua Joaquim Bonifácio e pararam junto de um prédio vermelho, quase centenário, com varandins de pedra lioz e gradeamento verde-escuro. Na fachada, à direita da porta, um azulejo  com a data de construção − 1924. A vendedora abriu a pesada porta de ferro verde-escura. A entrada era espaçosa, com plantas ornamentais. Mas o que de imediato lhes chamou a atenção foi a inscrição num azulejo: «Pintura Manual. E. Canavarro e João F. Blane. Obra de Henrique Cardoso». A vendedora não perdeu a oportunidade de dizer que a escada do prédio fora recentemente  decorada e que os proprietários não tinham poupado esforços para preservar aquele prédio tradicional. 
– De facto – disse Sara − que olhava para os murais de azulejos representando o Palácio das Necessidades, a Sé e a Basílica da Estrela. Subiam devagar a escada encerada, de corrimão azul e branco a condizer com as portas antigas da mesma cor, e ficaram admirados com a exposição de quadros nas paredes, com motivos lisboetas, alternando com documentos encaixilhados relativos ao prédio: a biografia de Joaquim Bonifácio, que deu nome à rua, alvarás, licenças de construção, de habitação, escrituras do primitivo proprietário, intimações camarárias para manutenção, numa palavra, toda a história do edifício. No primeiro andar, o painel mostrava o Terreiro do Paço, no segundo, o Teatro Dona Maria, no terceiro, o Palácio de São Bento, no quarto, o Mosteiro dos Jerónimos, no quinto, a Praça de Touros do Campo Pequeno, a Ponte 25 de Abril, e, por último, o Aqueduto das Águas Livres. Era uma visita completa aos lugares canónicos da cidade.
Já no quinto andar, Sara reparou numa moldura que contava a história da quase morte do prédio – a tragédia ali ocorrida no dia 18 de Dezembro de 1987. O quadro relatava que de cima para baixo as varandas tinham começado a desabar e com elas arrastaram as cozinhas e as casas de jantar das traseiras. Tinha sido um verdadeiro pandemónio, relatado com todos os pormenores no Correio da Manhã.
– Quem vê o prédio, agora, não pode imaginar o passado.
– Pois não – remata Luís − e a vendedora concorda.
 A história deste prédio antigo duplicava a sua vida. Da derrocada  surgira uma nova estética. Dos escombros do passado reconstruía-se uma nova Sara.
Quando a vendedora lhes mostrou o apartamento do terceiro andar esquerdo já ela tinha decidido que gostaria de morar ali, mesmo que fosse apenas por pouco tempo, não sabendo ainda que rumo viria a ter a sua vida futura. O corredor comprido acabava na cozinha e depois numa varanda que dava para uma escada de ferro em caracol. Os quartos sucediam-se, como se a casa fosse um comboio e a ideia de viagem, de percurso com saída de emergência, fê-la identificar-se com o lugar. Em frente, um Templo Adventista. Na varanda, dois pombos debicavam migalhas. O sol de Julho entrava a jorros pelas janelas.
– O que acha, Luís?
– Deve estar-se bem aqui a ler ao fim da tarde – foi a resposta, com um sorriso.
– Ficamos com ela – e Luís sorriu, agradado deste plural.

In: "A Mulher que Venceu Don Juan" de Teresa Martins Marques

31/12/2014

Giovanni Ricciardi e "A Mulher que Venceu Don Juan"

Cara Teresa,

                     Acabei anteontem a leitura do teu... "romance",  "ensaio romanceado", folhetim à maneira dos Dumas, manual para a manutenção da mulher, tratado de psicologia, pro-memória para as mulheres de hoje,...? Um livro múltiplo, que se lê com prazer e interesse, imântico em muitas de suas páginas (será que existe o adjectivo imântico de imã?)
                    Apreciei a leveza dos diálogos, que muito me lembra o brasileiro Luís Vilela e as tuas curiosidades históricas . Não conheço Tavira e gostaria de lá ir.

Nota Biográfica

 Giovanni Ricciardi, prof. de literaturas portuguesa e brasileira, aposentado. Interessou-se pela sociologia da literatura, publicando em 1971, em Lisboa, Sociologia da literatura; 
em 1999, ainda em Lisboa,Soeiro Pereira Gomes, uma biografia literária e Biografia e criação literária;
entrevistas com 123 escritores brasileiros em sete volumes, 2008-2010.

A nivel didático organizou Antologia della letteratura portoghese, Napoli,1998  eScrittori brasiliani, Napoli, 2002.

28/12/2014

Conceição Pereira e " A Mulher que Venceu Don Juan"

Querida Teresa:

Antes de mais, venho agradecer o livro, que fui buscar dia 22 (por coincidência o dia do meu aniversário) e que já li. Acabei hoje de manhã. Já há muito tempo que não lia um livro tão depressa e com tanta vontade. Foi, por isso, uma bela prenda de anos.
Espero que não fiques por aqui. Acabada a biografia, será tempo de começar outro romance, ou contos, ou o que te apetecer. Sairá bem, de certeza.
Parabéns pelo romance e muito obrigada pelas horas de boa leitura proporcionadas.

Um grande beijinho e boas festas felizes para ti, para o Ernesto e para toda a família,

Conceição

Nota biográfica:
Conceição Pereira ensina Português no Ensino Secundário, é orientadora cooperante no Mestrado em Ensino do Português (FLUL), investigadora no CLEPUL-FLUL e formadora acreditada pelo CCPFC. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Ingleses (1984) e além do mestrado (2000) e do doutoramento (2007) em Teoria da Literatura, na FLUL, concluiu uma especialização em Ciências da Educação (2008), na Universidade Aberta, e outra em Estudos Portugueses – Língua Estrangeira / Língua Segunda (2012), na FLUL. Publica regularmente ensaios sobre literatura, incluindo a infanto-juvenil, ensino da literatura e banda desenhada.


07/12/2014

Apresentação do livro "A Mulher que venceu Don Juan" - Primeiro Aniversário


Teresa Martins Marques from Leonel Brito on Vimeo.

Apresentação do livro "A Mulher que venceu Don Juan" de Teresa Martins Marques em Tavira,dia 8 de Fevereiro de 20014.

"A Mulher que Venceu Don Juan" inclui no entrecho ficcional três personagens de fundo donjuanesco. Amaro Fróis, cirurgião plástico, procura nas mulheres a vingança de um passado tenebroso; Manaças, serial lover, recalca uma pulsão proibida; Joana colecciona os namorados das amigas. Os três serão vencidos: o primeiro por uma mulher que subestimou; o segundo pelo verdadeiro objecto do desejo recalcado; a terceira por uma presidiária, cujo companheiro seduziu.A protagonista, Sara Dornelas, escapa à morte e encontra o amor, realizando, pelo estudo, um sonho antigo. Dois seres de eleição, a psicóloga Lúcia e Paulo, comissário da polícia, assumem um papel decisivo no desmantelamento de uma rede tentacular e no castigo dos criminosos, unidos por ignorados laços de sangue.Travejada por diálogos vivos, ora dramáticos ora humorísticos, a acção decorre em múltiplos lugares, potenciando o efeito de real pela intrusão de figuras verídicas que interagem com as personagens ficcionais.Entretanto, Manuela, jovem doutoranda, prima de Doña Juana, prepara em Copenhaga, e defende com sucesso, uma tese sobre o Diário do Sedutor, de Kierkegaard, duplicando, no plano teórico, os meandros do desejo, no plano da acção, e gerando uma atmosfera de suspense até ao último fio da intriga romanesca.

25/11/2014

Especialmente para os LEITORES de A MULHER QUE VENCEU DON JUAN

A minha Amiga, cuja história terrível me inspirou para escrever o romance A MULHER QUE VENCEU DON JUAN, conseguiu finalmente o divórcio, ontem, depois de muito sofrimento, porque os Amaros deste mundo são o que bem sabemos!

A Sara está agora muito feliz com o seu Luís (um leitor do meu romance) e ambos me chamam madrinha, porque me dizem que foi o meu romance que os aproximou.
Acreditem que isto que vos conto não é ficção!



Fonte: https://www.facebook.com/teresa.martinsmarques?ref=ts&fref=ts

07/11/2014

“A Mulher que Venceu Don Juan” - um romance clássico e moderno, por José Correia Tavares

“A Mulher que Venceu Don Juan”, primeiro romance da autora, é um livro surpreendente e raro, pois, não perdendo de vista referências clássicas nacionais, como Camilo, nele se cruzam, nunca deixando de ser original, e com assinalável mestria, algumas das linhas dominantes da moderna ficção narrativa.
José Correia Tavares.
(Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Escritores)

José Correia Tavares – Nota biobibliográfica

Nasceu em Castelo Branco, em 1938. Licenciado em Ciências Antropológicas e Etnológicas, é técnico superior principal aposentado do Ministério da Educação e vice-presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE). Revelado, como poeta, num concurso literário, em 1957, e distinguido com outros prémios, publicou, desde 1961, vinte e um livros, reunindo, em O Timbre das Vozes (2001), todas as entrevistas que realizou. Foi tradutor e revisor, desenvolvendo, ainda jovem, apreciável actividade jornalística, literária e artística, nomeadamente enquanto caricaturista, coordenando, então e mais tarde, suplementos e outras publicações culturais de prestígio nacional. Tem colaboração dispersa por numerosos jornais e revistas e está representado em vinte e sete antologias poéticas e diversos estudos ensaísticos e colectâneas. Dezenas de poemas seus foram musicados, para edições áudio. Com destacado papel na divulgação do Livro Português, de 1966 a 1983, integra, regularmente, júris de importantes prémios literários, sendo responsável pela organização dos Grandes Prémios de Romance e Novela e de Literatura Biográfica da APE, bem assim dos Prémios Revelação. Em 1993, foi um dos quatro membros da Comissão de Selecção das Obras Candidatas ao Prémio Literário Europeu, nas áreas da poesia, da ficção e do ensaio.

03/11/2014

PLANO NACIONAL DE LEITURA - "A MULHER QUE VENCEU DON JUAN"


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"A MULHER QUE VENCEU DON JUAN" - De Vrouw Die Don Juan Versloeg, por Maria Van der Bent

A MULHER QUE VENCEU DON JUAN
De Vrouw Die Don Juan Versloeg

Ter nagedachtenis aan mijn ouders
LA DONNA È MOBILE
Heimwee heb ik alleen naar de zee. Naar het zeezicht van Foz. Hoezeer ik ook denk dat het dezelfde Atlantische Oceaan is, beleef ik deze hier, die ik uit het raam van Monte da Caparica zie, niet als de mijne. De Foz was iets anders.
De Foz was echt iets anders, zo bekeken vanuit dat nieuwe huis dat het afgelopen jaar mijn dagen vulde met winkelen op zoek naar de juiste siervoorwerpen voor de juiste plek. Hoeveel ik ook holde, hoezeer ik me ook uitsloofde, toch zou ik nooit iets vinden dat bij Amaro in de smaak zou vallen. Prachtig, maar ..... Híj kon wel goed kiezen. Of dacht dat ie dat kon. Nooit was er iets perfect, behalve het werk dat uit zijn precieze handen van de plastische chirurg kwam.
Ik heb altijd gevoel voor detail gehad, waarschijnlijk als een uitvlucht uit het wezenlijke, uit datgene wat me in werkelijkheid verontrust. Ik heb altijd een afleiding nodig gehad, een ieder verschaft zich zijn opluchting naar vermogen. Op dit moment denk ik aan de planten op m’n balcon, uitgedroogd, verschrompeld uit dorst naar mijn gesprekken met ze. Ik heb heimwee naar het balkon. Niet zozeer naar het grote huis, waar ik verdwaalde, wit en steriel, bloedmooi zoals Becas zei, bloedmooi zei ik, voor een langzame dood zonder hoop op verandering van leven. Zij kon dat niet begrijpen. Ik kon dat niet verduidelijken.
Synopsis:

“De Vrouw Die Don Juan Versloeg” bevat in het fictieve plot drie personages met een donjuanesk karakter. Amaro Fróis is een plastisch chirurg, die in vrouwen wraak zoekt op zijn duister verleden; Manaças, een serial lover, onderdrukt een verboden gedrevenheid; Joana verzamelt de mannen van haar vriendinnen. De drie zullen worden verslagen: de eerste door een vrouw die hij onderschatte; de tweede door het ware object van zijn onderdrukt verlangen; de derde door een gevangene, wiens partner zij verleidde. De hoofdpersoon, Sara Dornelas, ontsnapt aan de dood, vindt de ware liefde en vervult een oude droom door het volgen van een studie. Twee bijzondere personen, de psycholooge Lúcia en Paulo, een commissaris van politie, spelen een beslissende rol in de ontmanteling van een wijd vertakt crimineel netwerk en in de bestraffing van de misdadigers, die verenigd zijn door een niet bekende bloedverwantschap. Gedragen door levendige, soms dramatische, soms humoristische dialogen, vindt de actie op meerdere locaties plaats. Het realistische effect wordt versterkt door de introductie van echt bestaande personen, die met de fictieve personages een samenspel voeren. Ondertussen wordt in Kopenhagen door Manuela, een jonge doctoranda en nichtje van Doña Juana, een proefschrift over het “Dagboek van een Verleider” van Kierkegaard voorbereid, welke zij met succes verdedigt. Op deze wijze worden op het theoretisch vlak, de kronkels van het verlangen qua actieniveau verspiegeld en is een sfeer van suspense tot aan de laatste bladzijde van de roman gegarandeerd.

30/10/2014

“A Mulher Que Venceu Don Juan” - DIE FRAU, DIE DON JUAN BESIEGTE, por Ana Diogo

A Mulher Que Venceu Don Juan
DIE FRAU, DIE DON JUAN BESIEGTE

Im Andenken an meine Eltern

LA DONNA È MOBILE
Heimweh habe ich nur nach dem Meer. Nach dem Blick von der Foz1 auf das Meer. So sehr mir mein Verstand sagt, der Atlantik sei überall derselbe, empfinde ich den, den ich hier von meinem Fenster in Monte da Caparica2 aus sehe, als fremd. Die Foz war etwas anderes.
Die Foz war etwas anderes vom neuen Haus aus betrachtet, das im letzten Jahr meine Tage völlig mit Streifzügen durch Geschäfte ausgefüllt hat, auf der Suche nach genau dem richtigen Schmuckgegenstand für die passgenaue Nische. Egal, wie weit ich laufen und mich anstrengen würde, nie würde ich je durch meine Wahl Amaros Geschmack treffen. Wunderschön, aber ...  Er, und nur er allein wusste zu wählen. Oder jedenfalls glaubte er das. Nichts als das, was er durch die Präzisionsarbeit der Hände eines plastischen Chirurgen zustande brachte, galt als perfekt.
Seit je habe ich eine Vorliebe fürs Detail gehabt, vielleicht, um dem Wesentlichen zu entkommen, dem, was mich eigentlich beunruhigt. Ich habe schon immer Ablenkung gebraucht, jeder schafft sich auf seine Weise Erleichterung. In Moment denke ich an meine Balkonpflanzen, trocken, aus Mangel an meinen Gesprächen mit ihnen verdorrt. Ich vermisse den Balkon. Nicht unbedingt das große Haus, in dem ich mich verlor, steril und weiß, zum Sterben schön, wie Becas sagte, schön, darin zu sterben sagte ich, eines langsamen Todes, ohne Hoffnung auf Lebensveränderung. Sie konnte mich nicht verstehen. Ich konnte mich nicht verständlich ma­chen.

1Foz - Flussmündung des Douro in Porto
2Monte da Caparica – Klein­stadt in der Nähe von Lissabon

Synopse:
Im Roman Die Frau, die Don Juan besiegte dreht sich die Handlung um drei Personen, jede auf ihre Art ein Don Juan. Der plastische Chirurg Amaro Fróis versucht, sich an Frauen für seine dunkle Vergangenheit zu rächen; Manaças, ein Schürzenjäger (serial lover), verdrängt eine verbotene Leidenschaft; Joana sammelt die Liebhaber ihrer Freundinnen. Die drei werden besiegt: der erste von einer Frau, die er unterschätzt hat; der zweite durch das wahre Lustobjekt seiner Verdrängung; die dritte von einer Ge­fan­ge­nen, deren Gefährten sie einst verführte.
Die Hauptfigur Sara Dornelas entgeht dem Tod, findet Liebe, und erfüllt sich durch ein Studium einen lang gehegten Traum. Zwei ausgelesene Persönlichkeiten, die Psychologin Lucia und Polizeikommissar Paulo, spielen eine entscheidende Rolle beim Aufdecken eines weitläufigen Netzwerkes und bei der Bestrafung der Verbrecher, die durch eine ihnen nicht bekannte Blutsverwandtschaft verbunden sind.
Von lebendigen Dialogen getragen, manche dramatisch, manche humorvoll, findet die Handlung an diversen Orten statt. Das Auftreten von wirklichen Personen in Interaktion mit fiktionalen Charakteren verstärkt den Eindruck von Wirklichkeit. Schließlich ist da noch Manuela, eine junge Doktorandin und Doña Juanas Kusine, die in Kopenhagen eine Doktorarbeit über Kierkegaards Tagebuch des Verführers schreibt und erfolgreich verteidigt. Durch diese werden auf theoretischer Ebene die Verflechtungen von Liebesbedürfnissen in der Handlung verdoppelt und bis zur letzten Seite des Romans eine Atmosphäre voller Spannung geschaffen.


22/10/2014

UM MARCO NA LITERATURA PORTUGUESA, por Humberto Lima de Aragão Filho

“A Mulher que Venceu Don Juan” é um marco para a Literatura Portuguesa Contemporânea. Linguagem fluente, narrativa empolgante e vigorosa, Teresa Martins Marques, ao escrevê-lo, expõe o drama universal vivido pelas mulheres, vítimas da prepotência e da violência masculinas.O romance mescla realidade e ficção, cumprindo um importante papel ao trazer para a literatura a denúncia de uma problemática social estarrecedora. Diante da inexistência de um clamor contra os maus-tratos sofridos pelas mulheres ou mesmo quando as vozes são impedidas de contestá-los, as palavras escritas em “A Mulher que Venceu Don Juan”, substituindo-as, gritam por elas.

Humberto Lima de Aragão Filho
Faculdades Integradas de Rio Branco
Inicia a vida acadêmica na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Deixa o curso de Direito para estudar no Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas, onde se torna Bacharel em Teologia. Em seguida, cursa Filosofia na Universidade de Mogi das Cruzes. Em 1991, gradua-se em Letras pela Universidade de São Paulo, onde obtém, posteriormente, os graus de Mestre e Doutor. Sua tese de doutoramento, intitulada
A intencionalidade do tríptico de Lisboa, versa sobre a obra do escritor José Rodrigues Miguéis. Participa como conferencista (ao lado de José Saramago, Dr. Mário Soares e Dra. Teresa Martins Marques, dentre outros) do Colóquio Internacional comemorativo ao centenário de nascimento de José Rodrigues Miguéis, no Padrão dos Descobrimentos, em 2001. Possui ensaios publicados pela revista Mestrado em Direito – do Centro Universitário Fieo – Osasco, São Paulo, pela Gávea-Brown – A Bilingual Journal of Portuguese-American Letters and Studies– da Brown University, Providence, RI, e pela Videre Futura – revista das Faculdades Integradas Rio Branco. Escreveu o prefácio do livro Análise de Sistemas Orientada ao Sucesso (Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2005).
Atualmente, é professor dos cursos de Direito, Relações Internacionais, Comunicação Social, Design e EAD das Faculdades Integradas Rio Branco. Professor Convidado da Escola Paulista da Magistratura (EPM). Prefaciou e organizou o volume crítico Um exílio chamado saudade: antologia sobre José Rodrigues Miguéis (São Paulo, Editora Intermeios, 2014) reunindo ensaios de Massaud Moisés, Adolfo Casais Monteiro, João Alves das Neves, Cassiano Nunes, Jorge de Sena, Georges da Costa, Onésimo Teotónio Almeida e Teresa Martins Marques.

16/10/2014

Recepção Crítica de A MULHER QUE VENCEU DON JUAN

"O que me faz falar deste romance é sobretudo a forma como foi escrito e, sobretudo, como essa forma o tornou actual e lhe conferiu, sem mais, um dos principais objectivos de qualquer romance, conto, novela, poema ou simples crónica: atrair e chegar aos leitores!"
José Mário Leite

"Um livro para todas as mulheres e todos os homens esclarecidos. Ou, quem sabe, os ajude a esclarecer."
Virgílio Gomes

"Teresa Martins Marques sabe contar a história, e sabe recontá-la a partir de um ponto de vista vigorosamente novo. "
Julieta Monginho

"... a Teresa põe o dedo na ferida, com a precisão de um bisturi e a amplitude de uma cultura que não permite a concessão ao lugar comum."
Isabel Cristina Rodrigues

"Um outro tema também abordado e que tem uma particular importância nas sociedades actuais é o da tirania exercida pelos filhos sobre os seus progenitores..."
Maria Carlos Lino de Sena Aldeia

“Adorei a narrativa, a forma de escrever, o colocar cenários e pessoas reais....é um livro magnífico.”
Manuel

“Pela forma como sente o que escreve ( porque só pode escrever assim, quem sente ).
por nos transportar para universos tão distantes e tão próximos, com nomes tão diferentes e vivências tão semelhantes.
Confessei à Anabela também, logo no final do segundo capítulo, que este livro mudou a minha vida.”
Helena, uma leitora de «A MULHER QUE VENCEU DON JUAN»

“Não posso deixar de dizer algo que me é muito querido: é um folhetim que trata o mirandês com o respeito devido a uma língua milenar e ao povo que a fala, que o divulga e dá a conhecer, o que é a primeira vez que acontece numa obra literária.”
Amadeu Ferreira .Comentário no Facebook

"... o livro lê-se num ápice, porque as trezentas e vinte e quatro páginas estão recheadas de peripécias múltiplas, onde a par da narrativa principal, outras narrativas se vão encaixando, sem nunca perder de vista o tema central da obra, ou seja, a violência doméstica."
Manuel da Mata

"O livro que Teresa Martins Marques acaba de publicar, A Mulher que Venceu Don Juan, é um empolgante romance, que se revê, folgadamente, no protocolo do “roman-feuilleton”, que fez fortuna em meados do século XIX."
"Teresa Martins Marques disseca, com mão experta de romancista, de ensaísta e de psicóloga, este tipo de personagem ambíguo e devorador (inseguro) que é o coleccionador de conquistas femininas (ou masculinas). "
Eugénio Lisboa

"A trama é muito forte, a urdidura impecável, e a construção das personagens muito definida e concreta .  O leitor fica agarrado desde o início."
Júlia Ribeiro

"Teresa Martins Marques conseguiu trazer à vida, através da tecnologia moderna, um Don Juan que conseguiu adaptar-se ao nosso século..."
Alexandru Gabriel Streinu

No meio de tanta literatura pós-moderna que não se preocupa com a  ética, tiro-lhe o chapéu. Não venceu só o Don Juan, venceu os cobardolas.
Onésimo Teotónio Almeida

"Laura é a sobrevivente de uma família em que duas mulheres, pela primeira vez, ao longo de muitas gerações, elegeram a solidariedade e o estudo como valores maiores."
Jorge Fernandes da Silveira

"Teresa Martins Marques, traça percursos de escrita, de vidas, de histórias, de textos literários, filosóficos, de sentimentos e olhares que se encontram, obliquamente, e que fazem sentido, todos eles raios conduzidos a um lugar."
Luísa Marinho Antunes

"Como boa romancista, Teresa Martins Marques envolveu as duas ideias de Amor e Luxúria numa teia social escandalosa real - a violência doméstica -, fazendo-as encarnar em personagens verosímeis e realistas."
Miguel Real

 "Este é um romance especial por várias razões, sobretudo pela sua qualidade formal e temática abrangente e actualizadíssima...
Vamberto Freitas

 A Mulher que Venceu Don Juan é um romance que do começo até ao fim engaja a curiosidade e a atenção do leitor. Um page turner, como se diz lá por onde moro.
Leonor Simas-Almeida

"Uma cativante  aventura pelos caminhos da Filosofia, Literatura e Psicologia, evidenciando um imenso conhecimento literário, cultural e histórico, numa linguagem rigorosa e atrativa, que nos prende e suspende às suas páginas, na ânsia da compreensão do desenlace final."
Mª Idalina Alves de Brito

"Um romance arrebatador que retrata uma hedionda realidade social.
Incidindo sobre uma temática extremamente actual e dramática, o romance de Teresa Martins Marques é uma obra envolvente pelo seu assombroso realismo e conteúdo pungente…"
Ana Diogo

"Um livro abrangente que versa toda a espécie de violência, não esquecendo a violência dos filhos em relação aos pais. A nossa geração quis dar o melhor aos filhos, sonhámos grandes sonhos para eles, foram criados como "reizinhos" e agora?"
Helena Martins Marques Faria

Gostei demais da resenha crítica de Maria João Cantinho. Sabe bem que sua obra é uma versão surpreendente e inovadora na tradição literária donjuanesca!
Maira Angélica Pandolfi

"Gostava ainda de salientar o quanto apreciei toda a informação que conseguiu incluir na história, por ex., sobre Tavira, Moncorvo, Lisboa, o teatro da prisão, o padre da música, etc., etc."
Maria van der Bent

"A primeira leitura, de um fôlego, por ansiar conhecer o desfecho do enredo, deu lugar a outra demorada, cuidada, reflectida. De novo me “agarraram” o tema central, os vários outros temas que se entrelaçam, a qualidade literária, a trama engenhosa que nos “prende” desde as primeiras páginas, o humor e a fina ironia, a erudição que não enfastia, a informação que nos abre caminhos, o carácter pedagógico de certas passagens."
Odete Brito

E o Dr. Fróis, personagem em Panamera transportado, é bem o mau exemplo desta sociedade ambivalente de " antes parecer que ser". ...Muitos dos nossos banqueiros , e outros especuladores encartados do tipo Madoff, bem precisariam de ler a " Mulher que Venceu D. Juan "
Artur Salgado

"Apreciei as figuras de mulheres que criou, com especial carinho para a Sara/ Esmeralda e a Lúcia."
Ilda Figueiredo

"A mulher que venceu D. Juan não é apenas Sara nem Lúcia, mas sim todas aquelas que cerraram um dia os punhos e olharam o medo de frente."

Maria João Cantinho

09/10/2014

Diálogo de Maria van der Bent com a Autora

Diálogo da Autora com Maria van der Bent, em 18 de Maio de 2013
(após a publicação do último episódio do romance na forma folhetim)

Maria van der Bent: Teresa, Um último episódio muito doce ("onde repetiram muitas vezes o que aprenderam um com o outro..." - que bonito!) e nostálgico, culminando na carta, com o jantar do Guincho em jeito de "comic relief". No final, deu-me uma tristeza, que nem imagina! São muitos meses deste encontro semanal...Exactamente na semana passada disse-me que gostaria de saber o que eu achava sobre o destino que tinha arranjado para o Manaças e qual a apreciação geral. Quanto ao Manaças, o "castigo" (está entre aspas, porque, em si, não é uma coisa má um homem apaixonar-se por outro) de que me lembrei logo no início foi realmente este, pois que maior ironia do destino para um machista engatatão do que apaixonar-se a sério e ainda por cima por um homem? Relativamente à apreciação, não sei escrever aquelas coisas como faz o Ernesto, por isso digo apenas que gostei muito das "mensagens", ou seja gostei e identifico-me com a água que a Teresa pretendeu - e conseguiu magnificamente - levar ao seu moinho. Gostava ainda de salientar o quanto apreciei toda a informação que conseguiu incluir na história, por ex., sobre Tavira, Moncorvo, Lisboa, o teatro da prisão, o padre da música, etc., etc., assim como todos os detalhes minuciosos, como nomes de ruas - por acaso, embora não seja do Porto, sabia a fama da Santos Pousada:) - nomes de lojas, descrições de edifícios, enfim, a Teresa sabe tanto de tanta coisa! Por tudo, muito obrigada e o maior sucesso para o livro. Com mil beijinhos.
18/5 às 18:02

Teresa Martins Marques:  Querida Maria van der Bent Nem sei por onde começar a agradecer-lhe! É claro que desde o princípio percebi que percebeu a minha ideia final para o Manaças. E agradeço-lhe ter-mo feito saber sem desvendar a história. Quanto à tristeza, eu também a senti. Chama-se síndrome do ninho vazio (como bem lembrou a Margarida Cascarejo que também é sibila....) Posso mesmo dizer que escrevi o final em lágrimas. Quem é que disse que a emoção não faz parte do texto? Eu não! Vamos fazer os "episódios finais" na Faculdade e no lançamento do livro. O meu editor vai ser sensível aos vossos comentários, tenho a certeza! O Ernesto Sábato disse que "as ficções salvam os que as escrevem e os que as lêem." Por evidente processo de identificação. Por isso procurei elementos para que um maior número de leitores se pudessem identificar com a história. Meter nela os leitores e outras pessoas que eu conheço foi uma dessas formas de identificação. Quando as leitoras do folhetim do século XIX choravam com as heroínas era apenas porque a vida delas poderia ser a sua. Esta história é a que foi ou poderia ter sido passada com pessoas que eu conheço, a começar por mim. Daí que tente cumprir aquele princípio da autenticidade que os presencistas defendiam e Régio em particular e que ficou escrito no nº 1 da revista Presença- o conceito de literatura viva. Agora vou seleccionar extractos dos vossos comentários, e será mais uma forma de os leitores participarem no Colóquio do dia 16/ 17 de Julho. É claro que gostaria imenso de os ver lá pessoalmente! Um grande beijo.
18/5 às 18:24

Maria van der Bent: Teresa, Compreendo perfeitamente as suas lágrimas. Como sabe, eu identifiquei-me muito com vários dos seus pontos de vista, como, por ex., o facto de que a tão louvada incondicionalidade do amor (conjugal/parental), em certas circunstâncias, não é mais do que puro masoquismo, a desmitificação de certas figuras do jet-set, aparentemente muito "finas", que pululam pelas capas de um certo tipo de revistas, mas que no fundo são ocas e hipócritas (as falsas amigas da Sara, no enterro do Amaro), quando não mesmo completamente depravadas (o dito). A estas a Teresa contrapôs várias pessoas simples, mas de bons sentimentos, aliás, acho que uma das ideias importantes da história é este reconhecimento do valor de pessoas como as companheiras de Sara ou o Joaquim, por exemplo, versus os tais falsos ídolos que de fineza afinal não têm nada. Ainda muito importante é o seu plaidoyer por uma educação sólida, mesmo tardia como no caso da Sara, mais uma vez versus a ignorância e futilidade de uma certa classe dita alta que é de uma enorme pobreza intelectual. Não sei o que é que os alunos do 12º ano lêem actualmente, mas acho que este seu livro, tão rico de ideias e de informação, poderia ser um óptimo ponto de partida para várias discussões nas aulas. Quem sabe, não virá a acontecer?

AUTO-APRESENTAÇÃO DE MARIA VAN DER BENT
Nasci em Lisboa na Associação dos Empregados do Comércio, no Largo do Caldas, perto de onde é hoje a sede do CDS.
Cresci até à 4ª classe na zona da Casa da Comédia/Janelas Verdes.
Devido a mudança de casa, fiz o liceu todo no antigo Liceu Nacional de Oeiras do qual tenho as melhores recordações, tanto ao nível de colegas, com alguns dos quais ainda mantenho contacto estreito, como de professores, com realce para o professor de História da Literatura Portuguesa do 6º e 7º anos, Manuel Tavares (o Zé Jorge Letria foi meu colega de turma e sei que ele tem também. um carinho muito especial por este professor, infelizmente já falecido há bastantes anos).
Em 1968/69 entrei para a Faculdade de Direito, mas não gostei e sempre que podia ia assistir às aulas de uma amiga do liceu, na Faculdade de Letras.
Pensei mudar de curso, mas os meus pais acharam que era uma pena e acabei por continuar até ao 3º ano (fui colega de turma do mesmo Zé Jorge, do Miguel Sousa Tavares, da Teresa Beleza, do Pedro Saraiva - filho do Prof. José Hermano Saraiva.
Nas férias de 1972 fui à Holanda, onde vivia um familiar, e resolvi lá ficar.Casei em 1973 e só voltei  a Portugal em 1974.
Em 11 de Setembro de 1976 tive um filho, nascido em Lisboa, a quem chamei Viktor, em homenagem ao cantor chileno Victor Jara, assassinado em 1973, na altura do golpe. 
 Em 1978 voltei para a Holanda e passei os anos 80 parte lá, parte cá, com várias idas e vindas. Até aos anos 90, sempre que estive em Portugal vivi na zona de Cascais/Estoril. 
 Nos anos 90 voltei praticamente a viver em Portugal a tempo inteiro, perto de Palmela.
Nessa altura, inscrevi-me, finalmente, na Faculdade de Letras, no curso de Línguas e Literaturas Modernas, vertente inglês/alemão.
Mais do que o curso em si , naquele momento, interessava-me aproveitar o facto  do curso ter como disciplina de opção - dois anos de língua neerlandesa, pois queria ter uma prova rápida dos meus conhecimentos de holandês, para trabalhar como tradutora . Fiz muitas, quase todas de tipo legal, como as directivas comunitárias que começavam a chegar de Bruxelas e documentos vários para advogados.
Assim que fiz essas cadeiras de neerlandês, por razões de tempo e logísticas, passei para a Universidade Aberta e foi na ESE de Setúbal que acabei por fazer os exames do resto das cadeiras do curso.
Seguidamente, trabalhei dois anos como professora de inglês na Escola da Quinta do Conde, 8º e 9º e 3º, 4º e 5º nocturno. 
 Em 2000 mudei-me para a Foz do Arelho e em 2011 para o Algarve.

Em 2005 comecei a trabalhar como tradutora e redactora para uma editora que publica material de apoio para contabilistas e gerentes de pequenas e médias empresas, nomeadamente uma revista quinzenal e livros técnicos sobre legislação vária. É isso que ainda continuo a fazer.

08/10/2014

Maira Angélica Pandolfi escreve sobre A Mulher que Venceu Don Juan

Maria João Cantinho escreve sobre Marques, Teresa Martins, A Mulher que venceu Don Juan, editora Âncora, 2013.
Comentário no Facebook à  Recensão publicada na revista Colóquio / Letras, nº 187 Setembro- Dezembro de 2014, pp.245-248.


  • Maira Pandolfi Gostei demais da resenha crítica....sabe bem que sua obra é uma versão surpreendente e inovadora na tradição literária donjuanesca!!!! Abração e saudades de você Teresa Martins Marques!!!!

Maira Angélica Pandolfi
 Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Assis. Faculdade de Ciências e Letras (FCL-ASSIS) (Instituição sede da última proposta de pesquisa)
País de origem: Brasil
4 Bolsas no país concluídas

Licenciada em Letras pela Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Assis (1997), Mestre em Letras pela Universidade Estadual Paulista - UNESP (2000) e Doutora em Letras pela Universidade Estadual Paulista - UNESP (2006). Realizou Estágio de Pesquisa na Universidad de Salamanca/Espanha(2013), estudando o Mito de Don Juan e sua representação nas literaturas de língua espanhola e na literatura brasileira. Atualmente é Professora Assistente Doutora na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Assis (Departamento de Letras Modernas), atuando na Graduação e no programa de Pós-Graduação em Letras. Assumiu (2013) a Vice-Coordenação da Pós-Graduação em Letras da Unesp de Assis. É membro da Associação Brasileira de Hispanistas (ABH), do GT ANPOLL Vertentes do Insólito Ficcional e também de Grupos de Pesquisa Cadastrados no CNPq (Narrativas Estrangeiras Modernas, Vertentes do Fantástico na Literatura e Grupo de Estudos Bakhtinianos) Tem como área de investigação a Literatura Comparada, Mitos Literários, Romance Histórico, Literatura Fantástica e Policial, Cultura e Tradução Literária. (Fonte: Currículo Lattes)

29/09/2014

Maria João Cantinho escreve sobre Marques, Teresa Martins, A Mulher que venceu Don Juan, editora Âncora, 2013.

Marques, Teresa Martins, A Mulher que venceu Don Juan, editora Âncora, 2013.

José Rodrigues Miguéis
Muito conhecida pela sua obra ensaística, Teresa Martins Marques lançou recentemente o seu primeiro romance. Referência incontornável nos estudos sobre José Rodrigues Miguéis, em 1994, foi, também, responsável pelo tratamento do espólio do escritor e poeta David Mourão-Ferreira, (entre 1997 e 2004), autor escolhido pela investigadora para a sua tese de doutoramento.
Quando a autora pensou em publicar esta obra, o risco era grande, à partida, todavia manteve-se à altura desse desafio a que se havia proposto. Teresa Martins Marques começou por publicar partes do texto na Internet e, nomeadamente, no seu mural, a partir de Outubro de 2012 até ao mês de Maio de 2013, tendo-nos demonstrado que os efeitos da comunicação podem ser utilizados de uma forma criativa e inédita. Foi assim que, combinando personagens reais e fictícias, num constante diálogo com os seus leitores, o romance começou a ganhar forma, tornando-se uma obra instigante e que toma por objecto um tema bem pertinente, o da violência doméstica. A forma como está construído, a sua dinâmica ágil e o enredo envolvente prendem o leitor até ao seu final. E isso não acontece apenas pelo modo como a acção se desenrola, mas também pelo domínio da autora na construção das suas personagens.
O romance abre com quatro citações, todas elas alusivas a uma das figuras mais enigmáticas e interessantes da nossa cultura: D. Juan. Infinitas são as ramificações do conceito e a ironia da autora encontra-se exactamente no modo como subverte as interpretações mais tradicionais, acrescentando-lhes interpretações inéditas, provenientes da psicologia e da psicanálise. Só uma profunda conhecedora da tradição literária e do tema em questão, poderia utilizar a sua erudição de uma forma que é, ao mesmo tempo, lúdica e despretensiosa, como o faz Teresa Martins Marques. A destreza como as reflexões se vão concatenando em torno dos temas aqui abordados, como a luxúria e o amor, são consequência de uma decisão clara da autora, a de não querer transformar as suas personagens em figuras vazias e espectrais. Os diálogos fluídos constituem outra das estratégias mais conseguidas, desse ponto de vista. São muitas as figuras que vão desfilando sob o olhar do leitor: o Dr. Amaro Fróis, o D. Juan, o médico hipócrita e devoto da beleza artificial, que desconhece o amor e faz da luxúria o seu instrumento de poder perverso, a Sara/Esmeralda, mulher bela que se rebela contra o estatuto de instrumento sexual e de boneca de luxo ostentada pelo marido poderoso, a psicóloga Lúcia que acompanha (e salva) mulheres que são vítimas de violência doméstica, albergando-as na casa da Caparica (o nome é fictício, mas a organização da APAV é real), Luís, professor universitário e alcoólico, homem bom que procura a redenção pelo amor, Manaças, a figura do oportunista que vive de expedientes, entre muitos outros que ocupam aqui um lugar secundário.
Nenhuma destas personagens carece de espessura, antes se posicionam de diferentes ângulos de visão, em caleidoscópio, evidenciando a subtil capacidade de observação da romancista, cuja experiência e conhecimento da natureza mundana lhe confere instrumentos precisos na descrição dos traços psicológicos de cada uma delas, estabelecendo assim uma clara contraposição entre elas e definindo-lhes o contorno. Essa espessura é o que contribui também para a verosimilhança das personagens, sendo que algumas delas são verídicas. E o trabalho de linguagem da autora é rigoroso, a linguagem que lhe dá corpo é fluída e musical e, não raro poética.
A acrescentar a essa construção, o conhecimento literário do género narrativo, a ironia mordaz na voz do narrador, libertando o romance dos seus constrangimentos moralistas e hipócritas (outra das virtudes que lhe encontro), exprime bem uma visão da natureza humana que não se prende nunca a um olhar estereotipado, ainda que vários personagens sejam, eles próprios, pela sua natureza intrínseca, estereótipos da nossa sociedade (o machista, a/o interesseiro, a bela fútil, etc.).  
Nada aqui é deixado ao acaso e também não o será a abertura do capítulo intitulado “La Donna è Mobile”, onde se descreve o modo como Amaro Fróis tem na ária do terceiro acto da ópera de Verdi, Rigoletto, o seu tema musical predilecto. Amaro Fróis,  o reputado e cínico médico de cirurgia plástica, que nos relembra vagamente algumas patéticas (e bem reais) figuras do Jet Set de irrepreensível recorte, é uma personificação nada escrupulosa, um D. Juan pós-moderno, ocultando os mais obscuros segredos, que se revelarão apenas no final.
Outro título, igualmente revelador e que marca o compasso desta obra é “A máscara do sedutor”.  D. Juan, sabemo-lo, não ama as mulheres, mas apenas se adora a si mesmo, usando os seres que seduz com a finalidade de satisfazer a sua insaciável fome de poder e de luxúria. É verdade que estes seres são galantes e atraentes, mas tais atributos não passam apenas de uma máscara usada para enredar as vítimas. E o donjuanismo, temática literária tão vasta, não é nem nunca será um tema ultrapassado, dado que a estrutura das relações de poder no amor se mantêm inalteráveis na história da humanidade. Não é em vão que a autora invoca detalhadamente o pensamento de Kierkegaard, sobre o qual a sobrinha de Lúcia, Manuela, fará a sua tese de doutoramento, também essa uma luta simbólica contra o don juanismo. D. Juan coloca questões filosóficas de vasto e denso alcance, como a hybris (ainda que de uma foma mais implícita), já que o sedutor se julga acima do comum mortal, desafiando, transgredindo as leis a que o respeito e o amor obrigam. Por vezes, e aqui se encontra também o caso, a sua forma é maquiavélica, na forma como instrumentaliza o Outro e o reduz à ínfima condição, destituindo-o do seu amor-próprio e da sua dignidade. Não é aleatório que Teresa Martins Marques relembre a obra-prima da literatura desse género que é Les Liaison Dangereuses, do escritor francês Pierre Choderlos de Laclos, evocando a diabólica figura que era o Visconde de Valmont. Amaro Fróis é mortífero como o foi Valmont, mas também morre pelo seu próprio veneno.
Não se trata aqui de um ensaio académico e desengane-se o leitor que vem à procura de explicações ensaísticas, psicanalíticas e literárias – ainda que as haja. É, antes, um romance político, no melhor sentido que a palavra pode ter, melhor dizendo, numa vertente ética. Sara é a personagem central, mas torna-se difícil, aqui, identificar uma heroína principal, pois, ao longo da obra, encontramos várias mulheres de inabaláveis e irreversíveis convicções. Tome-se como exemplo Lúcia, a psicóloga, ou ainda as mulheres que vivem na casa da Caparica, refúgio da APAV, lugar onde a solidariedade se transforma na grande fonte da sua coragem.
Talvez a academia não se sinta à-vontade com o género (o folhetim) e com o modo como o livro se foi consolidando, num diálogo aberto com os leitores da autora no facebook,. A acompanhar esse diálogo, Teresa Martins Marques procedeu a rigorosas investigações, sem negligenciar a importância do tema. A forma como a autora subverte a mais controversa das formas de comunicação, conferindo-lhe uma eficácia notável, para escrever o romance, é também uma “revisitação” moderna do feuilleton, esse género híbrido entre a prosa e a narrativa criado no início do século XIX e que constituía um registo do quotidiano. Ainda que visto como um género menor pela crítica literária da época, grandes autores da literatura clássica como Charles Dickens, Eugène Sue, Alexandre Dumas Filho, Gustave Flaubert, entre muitos outros, não foram indiferentes ao poder cativante do folhetim e cultivaram-no de forma prolífica.
O dispositivo narrativo que é aqui usado, no romance, intercala tempos diferentes, não se processando como uma narrativa linear, mas sim de uma forma em que os capítulos intercalam a acção presente com acontecimentos do passado. Esta estrutura vai-se mostrando, capítulo a capítulo, guiando o leitor, iluminando, mas sem lhe facilitar o caminho, pois o final eclode como uma verdadeira surpresa. Em A Mulher que Venceu D. Juan, todos os seus elementos - a história, os acontecimentos aparentemente dispersos - se vão concatenando até ao seu desfecho. Do mesmo modo que os capítulos nos revelam o ponto de vista de cada personagem, contribuindo para a sua densidade psicológica, também não existem acontecimentos gratuitos ou personagens à deriva e, mesmo os que nos parecem alheios, revelam-se como peças fundamentais do romance. E a verosimilhança das personagens encontra o seu correlato na dos acontecimentos e dos próprios lugares em que a acção decorre.
Por vezes, o tom da narradora é satírico e bastante mordaz, nomeadamente nos momentos em que desmascara os propósitos e as duplas intenções de algumas personagens que exercem com frieza e precisão o seu poder. Mas é sobretudo um olhar que predomina, ora neutro, ora comovido, pelas personagens. Porque essas mulheres simples que habitam a casa da Caparica, lugar onde se escondem dos seus carrascos, são seres absolutamente admiráveis, pelo modo como se entregam à protecção umas das outras, ainda que sejam, todas elas, indefesas. Um acordo tácito, um reconhecimento e a gratidão pela mulher que as tenta salvar, a psicóloga Lúcia, eis o que constitui a vibração mais intensa e comovente desta obra.  Permanece sempre, ao longo dela, um traço de luz irradiante que a percorre, desde o seu início. É nessa humanidade (e não falo aqui de santidade), escoando-se nos veios das palavras de Lúcia, de Sara, de Luís, que o olhar da autora se detém, inquieta e em busca de um sentido, de uma redenção possível. Há um nome que se escreve/inscreve nos intervalos e nos silêncios, nas entrelinhas do que é dito, um nome que se acende, mesmo na mais escura das noites. Ele escreve-se, antes de mais, no olhar da autora, comovido, fundindo-se com as suas personagens. O tempo tudo aquieta, parece dizer Teresa Martins Marques (e isso é sobretudo visível no final), mas, para que o tempo nasça de novo, é necessário desfazer-se do passado e do medo. A mulher que venceu D. Juan não é apenas Sara nem Lúcia, mas sim todas aquelas que cerraram um dia os punhos e olharam o medo de frente. É disso que se trata: olhar o medo de frente e despedirmo-nos do que nos dói, incluindo as máscaras.

Maria João Cantinho

Recensão publicada na revista Colóquio / Letras, nº 187 Setembro- Dezembro de 2014, pp.245-248.

Maria João Cantinho

Maria João Cantinho
Maria João Cantinho nasceu em Lisboa, em 1963. Passou a infância em África, regressando a Portugal após o 25 de Abril. Estudou Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, onde realizou também mestrado e doutoramento, centrando-se na obra do filósofo Walter Benjamin. É professora efectiva do Secundário desde 1990 e Professora Auxiliar no Iade (Creative University of Lisbon) desde 2011, na área de Estética e História da Fotografia. É membro integrado do Centro de Filosofia de Lisboa (FLUL) e do Centre d’Études Juives (Sorbonne, IV). Membro do conselho editorial da revista GEWEBE (Núcleo de Estudos Benjaminianos, Brasil). É também sócia e membro da Direcção do Pen Clube Português e da A.P.E. (Associação Portuguesa de Escritores).